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quinta-feira, 12 de maio de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - Sacerdócio nas Crenças Tradicionais

Sacerdote em posição de oração - Museu do Louvre.

Um tema polêmico e mal interpretado, a questão é saber o que significa sacerdócio, qual a função e qual o entendimento apresentado para com as comunidades.

A melhor maneira é saber de onde surgiu a palavra; voltamos a origem no latim, sendo assim a palavra sacerdócio (sacer + dotis) tem o significado de (sagrado + dom), portanto é alguém que possui um dom/ talento para lidar com o sagrado, são pessoas que possuem responsabilidades e executam cerimônias religiosas. E o que seriam essas cerimônias? São ritos, cultos, transmissão de conhecimento e serviços ligados a crença.

Dependendo da senda/ religião haverá alguns requisitos específicos, comprometimentos e determinados votos.

O sacerdócio é hierarquico e necessita de liderança, com deveres, vestuário, ritos e forma de transmissão do trabalho sacerdotal. A transmissão pode através de castas, hereditário ou eletiva.

Tendo isso em vista, cada um reflita se suas práticas e crenças compatibilizam com o significado do termo.


Cordialmente,


segunda-feira, 18 de abril de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - Aprendendo a Interpretar

Recebemos algumas perguntas de um aprendiz sobre os conceitos aqui representados pelo Conselho de Bruxaria Tradicional (CBT), e vamos tentar facilitar ainda mais a compreensão, para que todos consigam interpretar o que é aqui colocado.

Vamos aos conceitos do CBT vamos com ***:

- Uso de panteões não Europeus – Ex.: Africano, Indiano, etc...
*** Todas as regiões do mundo possuem suas respectivas crenças tradicionais, com seus valores, com suas práticas, o termo Bruxaria é uma manifestação de crença nativa européia, com deuses honrados de forma personalizada, com os atributos específicos do povo, seja ele celta, visigodo, germânico, etc...

Temos também o Conceito de Culto da Terra Nativa, que é o fato de honrarmos as manifestações espirituais da terra em que estamos, ou seja, a Bruxaria migrou para o Brasil e nós, como filhos da terra, honramos também o solo daqui, isto é um conceito que muitos não possuem ou distorcem para inserir outros elementos tal como Indiano, por exemplo.

Vejam este texto:


- Práticas cerimoniais de valor teatral e complexas
 *** Na essência, nomes como (Sabbat e Esbath) derivam de palavras judaicas (tal como a nossa palavra sábado), isto é comum na Wicca. Podemos honrar as fases da Lua, as festividades, os equinócios e solstícios, as etapas importantes, os ciclos de caça e pesca, a vida, a morte, etc. Não existe regra para a ritualização e nem a necessidade de se comemorar de forma apenas ritualística. O que esta colocado é que isso não deveria ser uma regra e sim uma opção, não deveria ser um teatro e sim algo profundo visto também que a magia natural deriva dos atributos da Floresta, e portanto uma magia fluídica.  

  
- Símbolos geométricos/ matemáticos – Ex.: Quadrado, Estrela de Salomão, etc... 
*** Crenças tradicionais existem no mundo inteiro, uma grande distorção é acreditar que Bruxaria é Maçonaria, por exemplo, ser um maçom é ser um magista, a maçonaria é uma instituição que incorpora os diversos ramos religiosos. Existem diversas feitiçarias pelo mundo e todas elas ligadas a uma região nativa, a uma senda, a um caminho, muito embora o bruxo esteja livre para estudar qual quiser, isso faz parte do seu aprendizado pessoal e não de algo raiz na Bruxaria Tradicional, as pessoas confundem crença pessoal com caminho, coisas totalmente diferentes.


- Elementos/ Conceitos de outras culturas – Ex.: Chakras
 *** O caminho do Bruxo é Nativo Europeu, entretanto o bruxo não é o caminho, ele é apenas um peregrino, existe confusão com o termo (Gnosis do Bruxo) a Gnose como Senda (Instituição) e existe o significado etimológico para gnose que significa "conhecer", o fato de conhecer um outro caminho faz parte da vivência pessoal, uma junção de aprendizados individuais.

- Ativismos – Ex.: Ecológico, Feminista, Homossexuais
*** O exposto é justamente não estar preso a conceitos segmentados sociais, a maioria de nós luta por conquistar uma consciência maior sobre a vida, entretanto as pessoas entram em questões ativistas, por exemplo, por puro modismo ou pq. alguém disse que um bruxo é ativista o que vai totalmente contra a esta abertura de percepção.

- Divisão dualista do mundo – Ex.: Deus/ Deusa – Bem/ Mal
*** Bruxaria não é simploriamente um ofício, ela não é "trabalho" (tradução) ela é uma crença específica, é um caminho, e dentro deste caminho nativo, a herança que temos dos povos antigos eram politeístas, não tem como seguir um caminho pré-cristão, sendo monoteísta ou seguindo um sistema de psicologia baseado em arquétipos, eis a diferença de uma crença nativa, para um sistema moderno/ eclético.

- Culto aberto e em área urbana
 *** As festividades podem ser públicas desde que respeitado os momentos sigilosos de cada clã, a bruxaria tradicional é introspectiva, ela é discreta, é bem diferente de atos de promoção, de divulgação na mídia, de exposição. Hoje temos uma abertura religiosa, coisa que há 60 anos atrás seria impossível, falamos ainda do povo europeu também, um povo mais reservado.

- Vinculo com movimento gótico
 *** Voltamos às liberdades dos cidadãos, esse direito é anterior ao direito de crença! Não precisa ser gótico, ou anti-social para ser um bruxo!

- Uso de um símbolo que identifique a religiosidade – Ex.: Pentagrama
*** Vamos citar a diferença de um símbolo que representa uma religião, no caso o pentagrama é um símbolo da Wicca, sabemos que existem pessoas que gostam do símbolo pentagrama, mas ele não pode ser algo oficial para outros caminhos pagãos, isto seria uma limitação de simbologia.

- Uma instituição centralizadora
*** O Conselho é uma instituição que faz seu papel social, é um dispositivo que promove atos coletivos, uma junção de clãs autônomos, uma confraria, uma instituição representante apenas de afiliados.

- Culto homogêneo ou livro sagrado
 *** Não existe uma "bíblia" que represente a Bruxaria, ou mesmo que estes aprendizados sejam homogêneos, em seu culto, dado à diversidade de povos e regiões.


Como sempre, o que faltam as pessoas é parar para refletirem sobre as questões ligadas a interpretação de texto, queremos ainda dizer que nosso compromisso é com pessoas e grupos que possuem a mesma orientação de crença comum aos conselheiros e que somos totalmente a favor da diversidade religiosa, pois assim todos podem se encontrar em seus credos. Afirmamos ainda que não temos ligação alguma com religiões criadas a partir da década de 50.


Cordialmente,

sexta-feira, 1 de abril de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - TESE DA LIBERDADE E MARGINALIZAÇÃO

Vamos começar o texto com algumas perguntas:

    1 - Quem caracteriza uma senda/ religião/ caminho ou atos como marginalizados?

    2 - A condição de elemento marginalizado é vitalícia?

    3 - Qual a diferença de liberdade no culto para liberdade pessoal?

    4 - A Bruxaria Tradicional cultua anjos?


Perguntas simples e diretas, para nós do Conselho de Bruxaria Tradicional, de base folk ou de raiz, vamos trazer algumas informações para sair do campo superficial das generalidades.

Na primeira questão, podemos dizer que seria um segmento religioso de grande expressão na sociedade, pois a criação dos estatutos morais dadas à religião é influência para as manifestações políticas e estas transformam em leis, um exemplo disso é o Brasil que mesmo sendo um estado laico, sofre influência das cadeiras cristãs influenciando nas tomadas de decisão do governo.

Segunda questão, antes do poder da Igreja Católica, poderíamos dizer que algumas religiões/ seitas/ práticas que nasceram antes do Cristianismo e viveram muito bem antes dele, seriam marginalizadas? Questiono também se estas práticas do mesmo modo que se tornaram marginalizadas poderiam passar por um processo de desmarginalização, muitas pessoas acreditam que sim.
Também é fato que existiam pessoas marginalizadas em sociedades antigas, tranquilamente que sim, mas seria por serem feiticeiros? Ou seriam por atitudes que agrediam àquela específica sociedade? Temos nas sociedades, antigas como nas contemporâneas, pessoas que marginalizam albinos, por exemplo, e não estão envolvidos com nenhuma prática de feitiçaria! Algumas teses não se sustentam, pois tratam de maneira superficial o entendimento antropológico, devido ao "fator de generalização", ato inconseqüente e com prejuizo a todos os estudiosos de crença.

Uma informação que vai contra a "tese das marginalizações"; o Druidismo também seria "Bruxaria Tradicional" (?), afinal, foi também alvo do Catolicismo com S. Patrick, estava na lista de crenças marginais, ou seja, o Druidismo não era marginalizado se tornou com o advento da cristianização e agora temos na Inglaterra a legalização do Druidismo como religião oficial. Podemos dizer que o termo "Bruxaria Tradicional" esta totalmente fora do que esta sendo citado, o termo que melhor poderia esclarecer seria "Feitiçaria Tradicional" ou "Crenças Tradicionais", este é o grande problema da manipulação ideológica na tradução de textos, sempre levam a mais confusões do que esclarecimentos.

Com base ainda no ato polêmico de oficialização, cada vez mais comum, afinal é também comum a necessidade de "aceitação" de crença, se assim não o fosse, não teríamos tantos atos de afirmação religiosa/ títulos iniciáticos e sacerdócios de crenças alternativas.

E quando falamos em liberdade? Segue abaixo o significado de liberdade:

Liberdade - qualifica a independência do ser humano, é a autonomia e a espontaneidade, qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários.

Como podem perceber, a liberdade é uma autonomia para padrões humanos, portanto devemos entender que dentro dessa premissa, ampliando para o universo humano e não somente a linha de crença está sob a vontade do ser livre.

A liberdade em cultos religiosos, ou operações religiosas (feitiçaria) conceitualmente não é "livre", pois liberdade esta um nível acima, portanto a liberdade esta em seguir qualquer caminho que achar interessante, ao adentrar em um caminho específico já existem parâmetros, sejam estes de um específico segmento étnico, seja no segmento de idéias, condutas, limitação geográfica, alguns no tocante as influências da própria sociedade, entre outros fatores.

Vamos a um exemplo: Imaginem que um "irmão bruxo" foi até sua casa, ele não toca a campainha, chuta a porta, dorme na sua cama, abre sua geladeira, mexe no seu altar colocando a imagem de Buda, e quando você fala para o sujeito que ele não pode fazer isso, ele simplesmente diz: "Eu sou um bruxo" tenho liberdade, um bruxo é ser livre. O que você faz? Bom... Provavelmente você vai aceitar, pois afinal tem liberdade na bruxaria, não é isso? Então... Temos também a liberdade de dizer que isto ou aquilo não convém e assim de traçar certos limites, afinal de contas, liberdade é um caminho de mão dupla.

Não confundam liberdade com fluidez, são coisas muito diferentes, alguns imaginam que trabalhar com magia natural, seja isso, fazer o que dá na telha, mas isso levaria a escrever um outro texto.

E finalmente, o culto aos anjos, como é de base cristã/ judaica, portanto fora do paganismo, que é o nosso foco, fico pensando no seguinte, anjo tem sangue bruxo ou o bruxo tem sangue de anjo? Como não devemos criticar a fé, e seria extremamente complicado ter uma doação de sangue de anjo, deixo que organizações como a Tubal Cain Church, entre outras se preocupem com essas questões.

Estávamos refletindo em quando a Bruxaria, em seus diversos entendimentos, vai se tornar livre do movimento gótico, quando teremos livros interessantes sem postar imagens de caveira, de vampiros, de demônios, quando realmente poderemos dizer em qualquer lugar que somos bruxos como filhos da natureza ao invés de ver o olhar espantado das pessoas, pensando... Esse "marginal" vive na encruzilhada ou no cemitério fazendo o mal para as pessoas. Mas isso é outra questão que tem que ser muito bem analisada por toda comunidade ligada ao paganismo.

E assim colocamos nosso ponto de vista, e esperamos que tudo o que foi colocado, venha em favor de novas reflexões, esse sim mais liberto e esclarecedor.

Cordialmente,