segunda-feira, 4 de abril de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL E O RECONSTRUCIONISMO

O termo reconstrucionismo tem objetivado a busca por mais informações sobre os povos que habitaram o planeta, é uma medida comum para todas as sociedades que buscam preservar suas tradições como também fazer um trabalho de campo de base acadêmica.

Com isso, se busca a preservação e entendimento da autenticidade cultural e histórica das sociedades antigas.

Essas práticas são bases para o estudo, baseadas na antropologia, arqueologia, história, pois como fica claro, não são invenções, muito embora algumas linhas busquem através destas pesquisas, encontrar uma alternativa neo-pagã para promover o suporte teológico as suas crenças.

Seria impossível, para movimentos da década de 60 ou posteriores não contar com esses materiais e assim criar novas possibilidades e reflexões na área de crença. Essas pesquisas não ocorrem na idade média ou períodos posteriores na Europa, visto a grande influência Católica no Ocidente, portanto não existem movimentos de reconstrução significativos com relação ao tema.

Temos visto também um excelente trabalho nas crenças gregas, reconstruindo e preservando valores helênicos, não somente na visão Politeísta, mas na Monista, esta última com os filósofos pré-socráticos.

Algumas religiões neo-pagãs, como é o caso da Wicca, podem aplicar o conceito de Monismo para explicar a crença de que tudo o que há foi criado por uma única divindade, neste caso, a figura de uma Deusa Mãe como entidade cósmica primordial. Essa crença se baseia no fato de que, na natureza, os únicos seres capazes de gerar vida, de criar, são as fêmeas. 

Devemos dizer também que existe o movimento de reconstrução lingüística, tanto nas línguas celtas, como indígenas, essa busca por identidade esta cada vez mais sendo aplicado, devido à globalização, que funciona como um trator sobre os sistemas tradicionais.

Cordialmente,

Conselho de Bruxaria Tradicional


BRUXARIA TRADICIONAL E CERTIFICAÇÃO ISO-9000

Estive refletindo sobre as pessoas chegam até nós e relembrando quantas delas estão estereotipadas ao estilo de uma certificação ISO-9000 ou similar, e tentei chegar a fundo para definir o que leva uma pessoa a ser formatada dentro de certo padrão ou certo estilo, minhas reflexões conduziram a alguns pontos principais.
Primeiro, vou citar os exemplos das normas de certificação estilo ISO-9000  comparando-a com as formações acadêmicas das pessoas: Em qualquer empresa que almeje a certificação dentro de alguma norma de qualidade é necessário para essa empresa, cumprir alguns requisitos, isso logicamente descaracteriza o trabalho individual em prol da produção final, ao longo do tempo podemos observar isso, tomemos como exemplo:

Um sapateiro de antigamente era um artesão que produzia sapatos, quanto melhores os sapatos dele, mais ele era requisitado, porém, cada sapato que o artesão produzia era um produto único, feito do início ao fim pelo mesmo sapateiro que conhecia todas as etapas do processo. Cada sapato produzido carregava a 'identidade' do artesão e era reconhecido a partir de sua qualidade de fabricação que lhe dava seu valor intrínseco, cada sapato e cada produto, entretanto, era único, era uma obra de arte única feita por um artesão sapateiro que imprimia sua alma ao seu objeto de trabalho;

No decorrer do tempo, era muito provável que este sapateiro passasse os conhecimentos relativos à produção de sapatos geralmente para seu (s) filho (s), ou então para algum outro aprendiz de talento, o qual se tornaria um novo artesão de sapatos.

Mas a vida se tornou mais complexa, e foi necessário produzir muito mais sapatos, então foram criadas as linhas de produção nas fábricas industriais, onde o processo de produção do sapato segue com a sola sendo depositada em cima da linha de produção por um funcionário, outro passa cola, outro coloca a parte de cima, outro encaixa a peça, outro põe detalhes e etc;

Para que uma empresa seja certificada dentro de uma norma de qualidade é preciso que a produção final dessa linha siga determinado padrão de normas e regras definidas, assim sendo todos os sapatos ao final da linha de montagem, tem as mesmas características definidas de acordo com uma receita (normas de fabricação) e já pode ser comprovados através de testes e exames se o produto se encontra dentro das normas exigidas pelo mercado e se ele realmente pode ser aprovado e receber um certificado de qualidade (ISO-9000). Desse modo os sapatos trazem impressos em si o estereótipo da empresa onde são fabricados e não mais as características do trabalho do artista de sapatos.

As pessoas nascem tenras cheias de potenciais individuais e possibilidades interiores peculiares a ser desenvolvidas, no decorrer de seu crescimento e de sua vida as pessoas aprenderão a conhecer e se ambientar ao mundo que as cerca, então elas são encaminhadas para os instrutores nas escolas, onde passam primeiro pelo ensino fundamental, depois o ginásio, colegial, técnico, superior e assim por diante, cada aluno (do grego "a = sem" ,  "luno = luz") 'sofre' dentro da escola um processo de 'iluminação' que consiste em passar ao aprendiz (ou receber do professor) os conceitos das matérias estudadas de modo que o aluno aprenda e possa comprovar o que aprendeu a através de testes e exames se o ele se encontra dentro das normas exigidas pelo mercado e se ele realmente pode ser aprovado e receber um certificado de qualidade (diploma). Desse modo as potencialidades individuais e possibilidades de desenvolvimento que cada um trás dentro de si, são postas de lado em nome do mercado que exige pessoas especializadas e não artistas da vida.

Vou citar agora um exemplo prático e que realmente aconteceu comigo antes que eu entrasse na Clan, onde pude observar como as pessoas têm suas mentes e formas de raciocínios padronizadas através de um ensino acadêmico e de como se esquecem de sua capacidade de pensar e inferir por conta própria:
- Certa vez na empresa onde trabalhava, apareceu um problema no computador da moça do faturamento, ela não conseguia acessar a internet de modo algum, então ela chamou o setor de informática e sucedeu o seguinte:
- Na segunda-feira chegou um rapaz, olhou o micro, fez desfragmentação do sistema, resetou, fez limpeza de disco, resetou, passou anti-virus, resetou e foi embora.
-Percebendo que o problema não estava resolvido, a moça chamou novamente o pessoal da informática;


-Na quarta-feira chegou outro rapaz, olhou o micro, fez desfragmentação do sistema, resetou, fez limpeza de disco, resetou, passou anti-virus, resetou e foi embora.


-Percebendo que o problema continuava, a moça chamou novamente os profissionais;


-Na sexta-feira veio outro rapaz, olhou o micro, fez desfragmentação do sistema, resetou, fez limpeza de disco, resetou, passou anti-virus, resetou e foi embora.


Na segunda-feira seguinte, já revoltada, a moça chamou novamente o setor de informática;


-Vieram todos os três que  já haviam passado por ali e ficaram conversando e tentando achar uma solução, então foram fazer uma reunião numa sala em separado, nesse meio tempo a moça falou pra mim que não acreditava que eles fossem dar um jeito então me ofereci para olhar:
-Primeiro tentei abrir o internet explorer e não abria, fiquei observando e vi que tinha uma barra de ferramentas diferente e cheia de figurinhas que a moça mesmo instalara, perguntei pra ela se podia desinstalar, tirei aquela barrinha e pronto, 20 segundos depois a internet já estava conectada e funcionando perfeitamente.
Na ocasião refleti que quando se padroniza um modo de solução de problemas muitas vezes se esquece de prestar atenção nas nuanças particulares de cada problema, tenho aplicado essa reflexão aqui no grupo e tenho percebido que o mesmo "vicio" de pensamento formatado em salas de aula ou em aprendizados anteriores tem deixado nossos peregrinos em dificuldades na Senda da Bruxaria Tradicional.
Hoje, nesta casa, começamos os estudos objetivando firmar alguns conceitos e desmistificar outros.

Peço a cada um de vcs que entre outras coisas, esvazie a taça, esteja receptivo, seja questionador mas não desrespeitoso, esteja aberto a mudanças de pensamento e atitude, que tenha coragem de encarar a si mesmo, e desejo a todos que seu caminho seja de aprendizado e de conquista da sabedoria.
Fiquem com esta reflexão:

Satni se considerava um grande mestre porque havia estudado todos os livros de todas as escolas de mistério da face da terra, sua busca pelo conhecimento o havia conduzido a lugares, a iniciados e a termos de magia que antes ele nem sabia ser possível existir.

Então, refletindo sobre sua vida e onde já tinha passado, Satni percebeu que existia apenas um lugar que ele não havia visitado. Era o de um ancião que vivia solitário em uma choupana no mais inacessível da floresta, era um homem estranho que não era coberto de títulos e comendas como os outros mestres que até então ele já encontrara, era uma pessoa que vivera toda sua vida nas florestas e de lá extraira tudo o que sabia.

Então Satni foi visitar este homem em busca de conhecimento. Enquanto o ancião servia lentamente chá em seu copo, ele comentava os livros antigos dos mestres, os exercícios dos gurus iogues, analisava os textos das tradições secretas de conhecimento, interpretava as histórias e as tradições dos grandes iniciados, divagava sobre os antigos processos de reflexão e hierarquias ocultas. Fez todo o possível para impressionar seu anfitrião, na esperança que este o aceitasse como discípulo.

Enquanto falava, o ancião continuava enchendo seu copo, até que o copo transbordou e o chá começou a espalhar-se pela mesa inteira. Nessa hora, assustado, Satni parou de monologar e fez uma pergunta:

- O que o senhor está fazendo? Não vê que o copo já está cheio e nada mais cabe em seu interior?

- Sua alma é como este copo. Como eu posso ensinar-lhe do meu conhecimento se ela já está cheia de teorias e sabedorias? - respondeu o ancião.

Autor: Nick - O Morcego

BRUXARIA TRADICIONAL FOCADA NO CONHECIMENTO

Estamos em nova fase, focada no caminho da Bruxaria Tradicional, nossa proposta se resume apenas a um assunto, divulgar o que a Bruxaria Tradicional de raiz, que pode ser chamada de campesina, folk ou qualquer outra descrição de crenças antigas européias, pois o que colocamos é esclarecer um caminho espiritual e não um conjunto de práticas desconectas.

A Bruxaria Tradicional são as crenças do Mundo Europeu, e sendo assim iremos falar de suas tradicionalidades, não com base no conceito "ordem iniciática" recente e ligado ao movimentos da década de 60 e 70, mas com toda a propriedade que o nome se coloca, relacionando com o folclore, com a cultura, com os trabalhos nativos, retirando assim qualquer influência cosmopolita e da idade contemporânea.

Algumas pessoas querem apenas falar de "ordens iniciáticas" tentando ditar que o termo "Tradicional" só cabe a elas, bom... Deixemos cada um no seu devido tempo de aprendizado, e vamos seguir por nosso caminho ao recitar suas manifestações reais e ancestrais pelos paises e povos.

Não iremos usar de palavras genéricas como "witchcraft", "old craft", "tradicional craft", isso podemos e iremos fazer, pois estas palavras têm um sentido muito amplo e sempre desastroso, afinal de contas, nosso foco não é feitiçaria tradicional globalizada tal como também não é relacionada a palavras maçônicas, tal como Ofício e Arte.

A nossa ligação tradicional esta ligada as Crenças da Terra, a herança cultural dos povos, a sua religiosidade, a natureza e repousa bem longe dos salões cerimoniais dos magistas modernos.


Gostamos muito dessa frase, quem sabe alguns também possam apreciar:


"Pessoas sábias falam sobre idéias;
Pessoas comuns falam sobre coisas;
Pessoas medíocres falam sobre pessoas."

A nossa conduta tem sido falar sobre idéias, sobre visões, sobre a história de pessoas que deixaram sua visão de mundo, muitos dos líderes morreram jovens, algumas se suicidaram e não tiveram tempo de completar o desfecho de suas obras, fato é que tudo pode ser distorcido se a obra não tiver sua devida conclusão, ao invés de relatar uma visão que busca conhecimento nas feitiçarias tradicionais, temos encontrado um rótulo do tipo "bolsinha esotérica", que coloca tudo como sendo Bruxaria Tradicional, que retira a identidade cultural das crenças, e usa de idéias da década de 60/ 70 ou ideologias importadas de outros continentes como base de argumento, de qualquer forma, não é isto o que fazemos ou buscamos, tal como sempre colocamos, isto não é nosso foco, tal como não temos interesse de sermos representados por estes segmentos religiosos.

Falam de ancestralidade como algo leviano e simplório, baseado apenas no título superficial e egóico; Caros, nunca precisei mencionar de sobrenome para seguir um caminho de sabedoria, se querem falar do meu sobrenome Vieira, saiba que ele repousa no Castelo de Sintra, dado aos sobrenomes mais tradicionais de Portugal, saibam também que a Peregrinação de Santiago de Compostela, tem o símbolo de minha família por todo o caminho sagrado, realizado antes mesmo do cristianismo ser a religião oficial. Aprendi que iniciações representam conhecimento de valor, busca, caminhada e não títulos para serem jogados na internet, quem assim o faz não têm o mínimo de respeito e conhecimento, pensam que iniciação é somente um procedimento teatral.


Vejo gente mostrando seus trofeuzinhos, trunfo do ego; para quem conhece a Inglaterra, tem uma ordem iniciática a cada esquina, você entra, preenche uma ficha eles investigam e depois de um tempo você se afilia, o mesmo acontece nos EUA, é risível quando vejo alguém se colocando dessa forma, mas como disse, cada um em seu caminho e respeito a liberdade de cada um de como deve gastar seu dinheiro.

Recebi uma proposta, de um "Elder", primeiro vamos ver o que é um "Elder" - Élder (do inglês elder: presbítero ou ancião) é um ofício no Sacerdócio de Melquisedeque, autoridade eclesiástica vigente em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e em praticamente todas as ramificações do movimento dos santos dos últimos dias. O ofício de élder é o mais básico na ordem de Melquisedeque.

Perceberam algumas influências? Bom... Sou tido a atos e não a títulos, sobre a questão de retirar o termo "Tradicional" de nosso site em tom de ameaça; vou dizer que concordo! Farei isso no dia em que conseguirem convencer os Paises, os povos, as tradições da terra, que não poderão mais usar o termo, pois a nossa base reflete um agregado bem longe do que se convencionou no nascimento do neo-paganismo e dos movimentos dissidentes da Wicca.


Como cabe ao acusador o direito de prova, antes de acusar, tenha provas ao mencionar o nome civil de alguém, pois isso mostra a sua imaturidade perante a vida, no mais não devo nada a espiritualidade e a sociedade, como podem perceber em meu currículo, sou qualificado profissionalmente e sei separar as diversas áreas de minha vida, coisa que muitos de vocês não sabem.

Não daremos mais abertura para temas fora do contexto, se buscam evidência, que façam um trabalho digno, não temos culpa que somente receberam iniciações e não conhecimento, como também da atual situação financeira que se encontram, fazendo de tudo para ganhar um troco.

Como esta no texto acima, nosso foco será o direcionamento para o esclarecimento, comentando sobre a bruxaria no significado de crenças pré-cristãs, retirando da marginalidade dada posteriormente, tal como as tradições dessas crenças, no mais somente discutiremos teses de mesma base, isso torna os debates mais direcionados e com um melhor nível para o leitor.

Agradecemos a todos que como nós, busca um caminho de grande beleza e entendimento.


Atenciosamente, 

Conselho de Bruxaria Tradicional 

Bruxaria e espiritualidade: Um ensaio sobre a mudança e o crescimento...

Certa vez ouvi de um senhor muito sábio que "É possível aprender tudo nesta vida, somente observando os outros"... Foi uma das maiores lições que tive, já que praticando, notei a possibilidade de conhecer o meu lado desagradável através das pessoas com quem convivo. Deparei-me com uma inacabável fonte de autoconhecimento.

Ultimamente tenho percebido cada vez mais hipocrisia no meio espiritualista - de forma geral - no qual incluo as diversas sendas de bruxaria. E isso se deve não necessariamente à senda, mas aos motivos pelo qual o indivíduo se envolve com esta senda, que são cada vez menos nobres. A sociedade está se tornando vazia, e a espiritualidade está sendo esquecida. O crescimento é cada vez mais tímido e discreto em detrimento da ostentação de um status que muitas vezes nada tem a ver com o caminho espiritual.

Temos buscado a magia, o reconhecimento, o poder e o status, nos esquecendo do valor que a discrição, a sabedoria e o caminhar árduo nos trazem. Vejo o crescimento pessoal como a verdadeira magia, é a alquimia interior que transmuta o metal (espírito) no que seria o ouro. Como podemos aceitar nos tornar bruxos transtornados e saturados de incoerência na essência de nossa ideologia... E o pior, incoerências tatuadas nos segredos de nossa particularidade? Seria contradizer toda a beleza e sabedoria que buscamos afirmar na base de nossa crença.

Mesmo que não achem interessante a leitura do texto, creio que apenas o título já traz em estampido a reflexão.


Mudança, crescimento e coexistência... O que isso tem a ver com Bruxaria?

Mudança e crescimento são termos que não necessariamente caminham juntos. Nem toda mudança traz crescimento! O crescimento normalmente provém do refinamento de nossas qualidades e do enobrecimento dos valores que carregamos, que nos levam a nortear através de pontos de vista diferentes e condizentes, cada uma de nossas ações. Crescer é superar, subir, alçar vôo... Ultrapassar antigos hábitos, sentimentos e atitudes que lhe algemavam a um estado de estagnação.

O homem como energia imanente do universo não deve nunca admitir um estado teimoso de imobilidade em meio à substância em que está diluído (a energia ativa que o circunda), estar nesta posição é atentar contra a própria natureza de sua existência assim como estar imóvel é permanecer nulo num mundo que se movimenta o tempo inteiro... A natureza do homem é reativa, nunca passiva... Deve, portanto, procurar anular a teimosia e a insistência infundada em seus erros... Causas de muito do que o atrapalha em seu desabrochar.

Não devemos nunca existir para um motivo que não nos traz um sentido convincente para a existência, agindo assim nutriremos toda uma cadeia de emoções inúteis que vão da solidão e dependência até a sensação de derrota e depressão - emoções estas que servem somente de obstáculo ao nosso crescimento.

Devemos nos assumir para o mundo! Assumir que invariavelmente somos sozinhos como personalidade pensante, assumir nossa individualidade sem deixar que o ego a contamine com a mesquinharia, arrogância, prepotência e sentimentos menos nobres. Devemos deixar de responsabilizar indivíduos, Deuses, o azar ou a casualidade pela nossa infelicidade e assumir que tudo se deve e decorre apenas pela nossa imobilidade.

Em busca do crescimento, não devemos confundi-lo com evolução... A evolução denota a subida vertical num sistema pessoal ou coletivo pré-estabelecido, é o ganho de um "quantus" que está muito mais associado ao status individual do ser do que ao crescimento em si (a evolução ocorre nos dois sentidos). O ideal seria enxergarmos o crescimento como uma expansão horizontal, que ao invés de sobrepor o lote de valores alheios, contrários ou inconvenientes (como a evolução), agrega, absorve e transmuta, trazendo um amadurecimento comum para todos os envolvidos no processo, acompanhado do desenvolvimento da sabedoria talhada com a paciência, a vivência e trabalho árduo no campo da intimidade.

Mas e mudar? Mudar é necessário para que ocorra o crescimento? Concluo que não... Não há crescimento por mudança... A mudança não é um estopim interessante para se empregar na busca do crescimento, principalmente se não há foco... Uma mudança mal patrocinada configura uma via de contra mão em encontro a própria liberdade, e somente trará decepções... A mudança ocorre como uma conseqüência da busca pelo crescimento, e desta forma será vivenciada tão sutilmente que se tornará imperceptível para o buscador, por quanto, exibir-se-á notória para aqueles que com ele convive.

Cabe um ponto de atenção: A coexistência no âmbito da mudança deve ser repensada, o homem como indivíduo social não coexiste buscando um relacionamento saudável, o padrão de pensamento humano impulsiona o homem a uma coexistência pela necessidade ou obrigatoriedade - seja esta estimulada por um desejo ou pela simples conveniência -, o que cria um cenário de invasão ao alheio, de simbiose parasitária com quem se convive e de impotência no trato com as questões da própria vida. Aonde há fluidez nisso? Onde está a liberdade? Onde se escondeu a auto-realização e o autoconhecimento? Estamos a promover quase que uma "diáspora" dos conceitos que embasam nossa busca por espiritualidade.

Então que aprendamos a coexistir com uma parceria saudável, não só entre nós humanos, mas com tudo que exala vida nesta terra... Que entendamos que não somos metades a formar um inteiro, mas inteiros a somarem encontrando o resultado da fórmula complexa elaborada pela aritmética da teia. Não precisamos uns dos outros para sobreviver, pensar assim é assumir uma inutilidade ou uma impotência que não existe. Somos seres poderosos que mal conhecemos nossas capacidades, devemos caminhar lado a lado buscando apoio nesta longa jornada, respeitando o limite, os desejos, a vontade e a capacidade alheia. Uma coexistência baseada numa troca equilibrada resulta no aprendizado conjunto e num crescimento com raízes tão profundas quanto a profundidade vivenciada nas experiências do grupo.
Não quero que corras à minha frente... Pois sigo somente ao meu coração...
Não quero que corras atrás de mim, pois não há tempo para lhe esperar...
Corra ao meu lado, para que quando olhar para ti eu perceba que ainda não cheguei, seja lá para onde quer que eu vá...
O êxtase e a sabedoria são os pilares da Bruxaria, partindo deste ponto de vista e tendo-os como o objetivo de nossa jornada, que esqueçamos os relacionamentos doentios... Que afoguemos o nosso ego e as emoções que não nos trazem boas vivências... Que tratemos a mudança como uma conseqüência e não a forcemos com superficialidade... Que tenhamos a busca pelo crescimento como um trampolim que nos lance adiante nos mais tortuosos campos de batalha... Que "estagnar" seja uma palavra riscada em nosso dicionário e que a tratemos como uma regressão ao nível da mediocridade.

Finalizando o assunto, nós que nos propusemos a desbravar o caminho da Bruxaria devemos tratar nossa busca por espiritualidade com responsabilidade e carinho, ou estaremos fadados a figurar em nossa vida como um personagem numa peça teatral de um conto de fadas qualquer... Pois uma boa maquiagem, uma túnica vistosa, alguns amuletos, títulos, simbolismos e vivências, por si só não fazem de ninguém um Bruxo.
 
Fonte: http://lontravoadora.blogspot.com/2011/04/bruxaria-tradicional-e-espiritualidade.html

domingo, 3 de abril de 2011

OFICIALIZAR UM CAMINHO - Uma solução para Todos



Revendo muito material na internet, mais de 70% dedicado a uma visão confusa generalista, obscura e gótica ou dedicada a agressões a pessoas e instituições, resolvemos dar nossa contribuição, o que já é feito através do apoio para projetos sociais e ecológicos, pois não basta ficar no falatório, tem que colocar as mãos no trabalho, nós do CBT fazemos o diferencial!

Quero agradecer as críticas, afinal como um bom magista, transformo em bons projetos e textos que venham a trazer consciência a magistas sérios e comprometidos com seu caminho espiritual, fora isto, cada um em seu segmento, o que podemos afirmar, é que agradecemos, pois tem gerado textos explicativos e construtivos para os que chegam até o paganismo e conseqüentemente à Bruxaria Tradicional.

Queremos dizer que adquirimos o domínio www.bruxariatradicional.com.br e representamos os anseios de uma comunidade que busca, dentro do caminho pagão, de crenças anteriores a influência católica, trazer bons esclarecimentos, dicas e informações.


Antes de montar o Conselho de Bruxaria Tradicional, queríamos apenas a união com grupos e pessoas com interesse em projetos sociais, divulgações, intercâmbio cultural, porém o tempo esta nos mostrando que, além disso, devemos muito mais, devemos quebrar o paradigma de caminho marginalizado, buscando esclarecer a sociedade que não somos "marginais" e nem nocivos a sociedade, somos apenas pessoas com um caminho espiritual diferente, muito embora exista toda a desmoralização de nossas práticas como algo ligado ao negativo e criminoso.

Sejam bem vindos ao nosso novo site, muito mais claro e dedicado ao conhecimento.

GRATIDÃO!

Ricardo DRaco

sexta-feira, 1 de abril de 2011

BOLETIM DE OCORRÊNCIA E REPUDIO

SÃO PAULO, 01/04/2011 às 16h13

Não foi por aviso, querem falar sobre teologia, sobre crenças, sobre idéias sem problemas, mas agressões pessoais com nome civil ou qualquer invasão de privacidade, já esta além do limite, muito além.

Portanto cansei, já peguei o conteúdo do site www.bruxaria.com, já liguei para a delegacia de crimes contra a internet, o DEIC - Polícia Civil do Estado de SP, vou dar 24 horas conforme a lei, e estarei após isso indo até a delegacia para o devido Boletim de Ocorrência, algumas pessoas não entendem pela palavra, então vão sentir no bolso, e iremos a juizo, com todo o desgaste que isso possa causar, lamentávelmente tento ir pelo bom caminho, mas estou percebendo que a questão será mais desgastante, uma pena.

Já notifiquei pelo link de comentário do próprio blog, e coloco aqui também a título de oficializar o pedido.

Vou deixar extremamente claro para que todos entendam:

1 - Não sou a favor da Bruxaria única e nem da Bruxaria Tradicional única;
2 - O ato de cobrar por serviços espirituais não esta em julgamento, sou a favor que se cobre sim por serviços e até impostos, desde que se tenha a contra-partida;
3 - Não respondo pela agressão de outras pessoas, falo apenas por mim;
4 - Não coloquei um título se quer ou iniciação, nunca precisei disto para demonstrar o que acredito;
5 - Não existe no blog, nenhuma ofensa pessoal, caso existe favor notificarem para que eu retire;

Tendo isso bem claro, revejam a proposta de vocês, pois não tenho o costume de faltar com nobreza nos meus debates, se falo, falo abertamente, e não uso de palavras de baixo nível.

Sinceramente,

BRUXARIA TRADICIONAL - TESE DA LIBERDADE E MARGINALIZAÇÃO

Vamos começar o texto com algumas perguntas:

    1 - Quem caracteriza uma senda/ religião/ caminho ou atos como marginalizados?

    2 - A condição de elemento marginalizado é vitalícia?

    3 - Qual a diferença de liberdade no culto para liberdade pessoal?

    4 - A Bruxaria Tradicional cultua anjos?


Perguntas simples e diretas, para nós do Conselho de Bruxaria Tradicional, de base folk ou de raiz, vamos trazer algumas informações para sair do campo superficial das generalidades.

Na primeira questão, podemos dizer que seria um segmento religioso de grande expressão na sociedade, pois a criação dos estatutos morais dadas à religião é influência para as manifestações políticas e estas transformam em leis, um exemplo disso é o Brasil que mesmo sendo um estado laico, sofre influência das cadeiras cristãs influenciando nas tomadas de decisão do governo.

Segunda questão, antes do poder da Igreja Católica, poderíamos dizer que algumas religiões/ seitas/ práticas que nasceram antes do Cristianismo e viveram muito bem antes dele, seriam marginalizadas? Questiono também se estas práticas do mesmo modo que se tornaram marginalizadas poderiam passar por um processo de desmarginalização, muitas pessoas acreditam que sim.
Também é fato que existiam pessoas marginalizadas em sociedades antigas, tranquilamente que sim, mas seria por serem feiticeiros? Ou seriam por atitudes que agrediam àquela específica sociedade? Temos nas sociedades, antigas como nas contemporâneas, pessoas que marginalizam albinos, por exemplo, e não estão envolvidos com nenhuma prática de feitiçaria! Algumas teses não se sustentam, pois tratam de maneira superficial o entendimento antropológico, devido ao "fator de generalização", ato inconseqüente e com prejuizo a todos os estudiosos de crença.

Uma informação que vai contra a "tese das marginalizações"; o Druidismo também seria "Bruxaria Tradicional" (?), afinal, foi também alvo do Catolicismo com S. Patrick, estava na lista de crenças marginais, ou seja, o Druidismo não era marginalizado se tornou com o advento da cristianização e agora temos na Inglaterra a legalização do Druidismo como religião oficial. Podemos dizer que o termo "Bruxaria Tradicional" esta totalmente fora do que esta sendo citado, o termo que melhor poderia esclarecer seria "Feitiçaria Tradicional" ou "Crenças Tradicionais", este é o grande problema da manipulação ideológica na tradução de textos, sempre levam a mais confusões do que esclarecimentos.

Com base ainda no ato polêmico de oficialização, cada vez mais comum, afinal é também comum a necessidade de "aceitação" de crença, se assim não o fosse, não teríamos tantos atos de afirmação religiosa/ títulos iniciáticos e sacerdócios de crenças alternativas.

E quando falamos em liberdade? Segue abaixo o significado de liberdade:

Liberdade - qualifica a independência do ser humano, é a autonomia e a espontaneidade, qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários.

Como podem perceber, a liberdade é uma autonomia para padrões humanos, portanto devemos entender que dentro dessa premissa, ampliando para o universo humano e não somente a linha de crença está sob a vontade do ser livre.

A liberdade em cultos religiosos, ou operações religiosas (feitiçaria) conceitualmente não é "livre", pois liberdade esta um nível acima, portanto a liberdade esta em seguir qualquer caminho que achar interessante, ao adentrar em um caminho específico já existem parâmetros, sejam estes de um específico segmento étnico, seja no segmento de idéias, condutas, limitação geográfica, alguns no tocante as influências da própria sociedade, entre outros fatores.

Vamos a um exemplo: Imaginem que um "irmão bruxo" foi até sua casa, ele não toca a campainha, chuta a porta, dorme na sua cama, abre sua geladeira, mexe no seu altar colocando a imagem de Buda, e quando você fala para o sujeito que ele não pode fazer isso, ele simplesmente diz: "Eu sou um bruxo" tenho liberdade, um bruxo é ser livre. O que você faz? Bom... Provavelmente você vai aceitar, pois afinal tem liberdade na bruxaria, não é isso? Então... Temos também a liberdade de dizer que isto ou aquilo não convém e assim de traçar certos limites, afinal de contas, liberdade é um caminho de mão dupla.

Não confundam liberdade com fluidez, são coisas muito diferentes, alguns imaginam que trabalhar com magia natural, seja isso, fazer o que dá na telha, mas isso levaria a escrever um outro texto.

E finalmente, o culto aos anjos, como é de base cristã/ judaica, portanto fora do paganismo, que é o nosso foco, fico pensando no seguinte, anjo tem sangue bruxo ou o bruxo tem sangue de anjo? Como não devemos criticar a fé, e seria extremamente complicado ter uma doação de sangue de anjo, deixo que organizações como a Tubal Cain Church, entre outras se preocupem com essas questões.

Estávamos refletindo em quando a Bruxaria, em seus diversos entendimentos, vai se tornar livre do movimento gótico, quando teremos livros interessantes sem postar imagens de caveira, de vampiros, de demônios, quando realmente poderemos dizer em qualquer lugar que somos bruxos como filhos da natureza ao invés de ver o olhar espantado das pessoas, pensando... Esse "marginal" vive na encruzilhada ou no cemitério fazendo o mal para as pessoas. Mas isso é outra questão que tem que ser muito bem analisada por toda comunidade ligada ao paganismo.

E assim colocamos nosso ponto de vista, e esperamos que tudo o que foi colocado, venha em favor de novas reflexões, esse sim mais liberto e esclarecedor.

Cordialmente,