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quarta-feira, 29 de junho de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - Politeísmo na Religião Gaulesa

          O Politeísmo Naturalista na Religião Gaulesa

G. Roth e F. Guirand
Tradução: Bellovesos /|\


p. 203

Politeístas como todos os primitivos (1), os gauleses veneravam principalmente divindades tópicas (isto é, ligadas a um local determinado) ou regionais.

O Culto das Águas

Os lugares elevados, os picos dos montes, eram por eles divinizados. O pico do Ger ("Garrus deus"), nos Baixos Pirineus, permaneceu nessa condição até o fim da dominação romana, enquanto os outros picos desceram pouco a pouco da posição de deuses para a de moradas de deuses. Por exemplo, "Dumias", nome do deus tutelar de Puy de Dôme, acabou por tornar-se um simples epíteto ligado a "Mercurius", cujo templo e estátua localizavam-se nesse cume.

Contudo, a religião naturalista dos gauleses aparece mais destacadamente no culto das águas (rios, poços, fontes). Diva, Deva, Divona, "a Divina" era uma designação frequente dos rios gauleses, o que ainda testemunham seus nomes atuais: Dive, Divone, Deheune. "Nemausus", deus tutelar da cidade de Nîmes, era o gênio de sua fonte; "Icaunus", o de Yonne, etc. Numerosos eram os gauleses da Bélgica que se orgulhavam do nome "Rhenogenus", "filho do Reno". Borvo, Bormo ou Bormanus ("o Borbulhante"), deus das fontes termais, deu seu nome a muitas de nossas estações onde jorram águas quentes: La Bourboule, Bourbonne, Bourbon-Lancy ou L'Archambault.

A mais característica dessas divindades era a deusa Epona. vista sempre acompanhada de um cavalo, com o qual forma um grupo inseparável. Na maioria das vezes, ela está sentada de lado em sua montaria. Envolta em um manto drapeado e adornada com um diadema, seus atributos são um corno da abundância, uma pátera e frutos. É, portanto, a deusa da abundância agrícola. Contudo, não é a água que traz fertilidade ao solo? Com efeito, Epona é uma divindade das águas, exata correspondente da fonte Hipocrene. Seus dois nomes equivalem [ao grego] (epos, ona = hippos, krêne) e significam "fonte equina" (2). Quanto à presença do cavalo ao lado dessa deusa, é suficiente recordar o lugar que esse animal possui na lenda de Posêidon.

Muito popular na Gália, como o atestam as numerosas representações de Epona que foram conservadas, seu culto foi posteriormente importado pela Itália e pela própria Roma. Seu significado primitivo, no entanto, foi esquecido. Epona tornou-se a deusa protetora dos cavalos; é por isso que se colocavam suas imagens nos estábulos.

Culto das Árvores
As águas fecundam as florestas. Também os gauleses não esqueceram de adorar as árvores e bosques. Vosegus foi o deus tutelar dos "Vosges" silvestres; Arduina, a ninfa das "Ardennes"; Ardnoba, a da Floresta Negra.

Na região dos Pirineus, muitas inscrições latinas dão-nos a conhecer os deuses-árvores: Robur (o carvalho-branco), Fagus (a faia), Tres Arbores (Trois-Arbres [três árvores]), Sex Arbores (Six-Arbres [seis árvores]), Abellio (a macieira; cf. "apple, apfel" nos idiomas germânicos), Buxenus (o buxo).

Respeitado em toda a Gália, o carvalho pôde ser considerado por certos cronistas como o deus supremo dos gauleses. "É nos bosques de carvalhos que que os druidas têm seus santuários", assegura-nos Plínio, o Antigo ("História Natural", XVI, 249), "e não realizam qualquer rito sagrado sem as folhas do carvalho. Acreditam que a presença do visco revela a presença do deus sobre a árvore que o porta... Colhem-no com grande cerimônia. Depois de ter sacrificado dois touros brancos, um sacerdote, vestido com uma túnica branca, sobe na árvore e corta com uma foice áurea o visco, que será recolhido em um manto branco."

A veneração dessa planta deixou traços em nossos costumes (2). Muitas pessoas consideram-na, sincera ou jocosamente, como um amuleto de boa sorte. E a força dessa tradição é ainda mais ativa no outro lado da Mancha (4).

Culto dos Animais
p. 204

Os gauleses igualmente adoravam diversos animais. Cavalo, corvo, touro e javali eram animais sagrados que deram seus nomes a certas cidades (Tarvisium, Lugudunum [de "lugus", corvo]) ou tribos (Taurisci, Brannovices, Eburones) e dos quais encontramos muitas representações em moedas e baixos-relevos. Nas Ardennes venerava-se o javali; os helvécios das proximidades de Berne adoravam a deusa Artio ( = a ursa), na qual seria talvez ousado enxergar a equivalente da Ártemis grega.

Vê-se no museu de Avignon, sob a denominação de "monstro de Noves", um urso sentado sobre as patas traseiras; com suas mandíbulas esmaga um braço humano e cada uma de suas patas dianteiras repousa sobre uma cabeça humana. Concorda-se em reconhecer nesse monstro devorador algum ídolo primitivo.

No número dos deuses zoomórficos podem-se classificar também as serpentes com cabeça de carneiro que aparecem em diversos monumentos. Estão geralmente ligadas a um deus que as agarra pelo pescoço ou as mantém nos joelhos. Essa última postura parece afastar a ideia de uma luta entre o deus e as serpentes. Deve-se, portanto, vê-las como divindades ctônicas. O mesmo aplica-se à serpente chifruda que aparece ao lado do Mercúrio gaulês.

Entre os animais divinizados, o que parece ter sido objeto de um culto bastante difundido é o touro. O fato nada possui de surpreendente, sendo esse animal o símbolo da força e do poder gerador e tendo sido divinizado de forma semelhante em outras mitologias. Pensemos, por exemplo, no touro cretense. O touro gaulês, porém, apresenta-se com certas peculiaridades assaz curiosas.

Em um altar galo-romano exumado do solo de Paris está esculpido um touro em pé próximo de uma árvore; ele traz duas garças no dorso e uma na cabeça; é o Tarvos Trigaranus ("Touro com as Três Garças"). Questiona-se qual poderia ser o significado das três garças associadas ao touro. É verdade que esses mesmos pássaros encontram-se nos relevos do arco do triunfo de Orange e surgem repetidamente nos relatos da epopeia irlandesa. Não obstante, ao nos recordarmos de que há na mitologia gaulesa um deus tricéfalo – a que posteriormente nos referiremos – e que, por outro lado, possuímos figuras de touros com três chifres, pensou-se que o epíteto "trigaranus" não seria mais que uma deformação de "trikaranos", com três cabeças, e que o touro primitivamente adorado seria um touro tricéfalo, relacionado ao deus tricéfalo Cernunnos.

Fonte:
GUIRAND, Félix (direction). Mythologie Générale. Librairie Larousse. Paris (VIe.). 13 a 21, Rue Montparnasse, et Boulevard Raspail, 14. 1935. pp. 203-204.

Notas:
(1) O texto, embora útil, é sob alguns aspectos bastante datado. Igualar "politeísmo" a "primitivismo" é somente um deles (Nota do Tradutor).

(2) Quando esse texto foi escrito, era bem menor do que hoje o conhecimento da antiga língua gaulesa. Sabe-se agora que o sufixo -(o)n- (também encontrado nos nomes de outros deuses, como Map-o-n-os, Vind-o-n-os, Rigant-o-n-a) é um aumentativo que significa "grande e divino". Assim, Epona significa não "fonte [ona] do cavalo [epos]" (a tradução da Hippokrene grega), mas "a grande égua divina". Talvez o entendimento do autor deva-se à lembrança da palavra "onno" do Glossário de Endlicher, que o escriba medieval traduz pelo latim "flumen", i. e., rio (Nota do Tradutor).

(3) Entenda-se: dos franceses (Nota do Tradutor).

(4) Isto é, nas Ilhas Britânicas (Nota do Tradutor).

quarta-feira, 1 de junho de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - Árvore Ancestral

Nos últimos anos tem havido um aumento crescente nos dados sobre ascendência disponíveis na web. As organizações comerciais têm investido grandes somas na digitalização, indexação e distribuição em massa de dados históricos para o domínio público. Há divergências de opiniões quanto à necessidade ou não disto e se constitui um ato razoável ter que pagar por estes dados de pesquisa. A resposta simples devido aos altos custos da prestação de serviços (pesquisa, arquivamento, sistemas, etc.) tem que ser repassados de alguma forma e que a assinatura é a forma mais lógica de fornecer esta informação a um custo razoável.

No entanto, resta a questão do que deve acontecer com os dados a longo prazo. É razoável que empresas como Ancestrais, Reunited Genes and Find My Past, que investem somas consideráveis ​​merecem o direito de ter uma licença de monopólio sobre um determinado período de tempo para ganhar de volta esses custos e um lucro razoável.

Já existe uma grande quantidade de dados sobre ascendência disponíveis na web, normalmente produzido por voluntários, entusiastas, organizações religiosas ou caritativas.

Estes sites são uma parte importante da pesquisa genealógica, mas as perguntas permanecem sobre a sua proveniência, particularmente aqueles sites que permitem aos usuários carregar suas próprias pesquisas de ancestralidade. Por outro lado, a disponibilização de dados primários provenientes de arquivos reconhecido governamentais, cria uma base de dados que são mais confiáveis ​​e devem ajudar a construir um ambiente onde uma pesquisa da ancestralidade pode ser realizada de forma simples, precisa e com custos moderados.