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sábado, 24 de março de 2012

A Filosofia do Prazer e o "Castrolicismo" Ascencionado

Hoje falarei sobre o Hedonismo, uma filosofia que me agrada e acredito que todos deveriam parar de se chicotear perante um caminho de dor, sofrimento e muitas vezes ignorância, como gosto de objetividade, pois temos mais coisas a fazer do que perder tempo em parlapatório
totalmente fora de contexto ("patropismo"), vou redigir um pequeno artigo baseado em outros que tenho lido e que a mim, pelo menos, faz muito sentido.

Um texto de Gordon Haddon Clark menciona pensamentos bem interessantes inclusive sobre a origem do termo e sua respectiva definição: A palavra hedonismo (do grego hedonê, "prazer", "vontade") é uma filosofia que conceitua ser o prazer o divino bem da humanidade. Surgiu na Grécia com os pensadores Aristipo de Cirene e Epicuro. O hedonismo atual procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número de pessoas.

O termo tem se disseminado e encontramos indiretamente em muitas sendas os seus princípios, algumas interpretações deturpadas falam da prática egoísta perante os prazeres materiais promovendo uma visão depreciativa e de decadência moral, pois o fato de se focar em ter uma vida prazerosa é totalmente diferente de ser superficial ou querer este prazer unicamente para consigo.

"Segundo Michel Flocker “hedonismo é a doutrina que considera o prazer ou a felicidade como o único ou principal bem da vida.” Sendo assim, o hedonismo é a aplicação dessa máxima levando-se em consideração que apenas o próprio individuo é responsável pela intensidade e qualidade do seu prazer."

Encontrei em uma comunidade algumas diretrizes que todos nos poderíamos aplicar em nossas vidas, e pelo que pude notar, todo mundo tem ou deveria ter um pouco de hedonismo em suas crenças, vejam a baixo:

1°: BUSQUE A FELICIDADE
Ser uma pessoa ativa em busca da sua felicidade, desenvolvendo uma prática agradável no seu cotidiano.

2°: "CARPE DIEM"
“Aproveite o momento” em latim. O termo se tornou conhecido através de um poema de Horácio, e é também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer sem ter medo do futuro.

3°: FALE MENOS E REALIZE MAIS
Despreze a superficialidade da verborragia e meta a mão na massa, se constrói com trabalho e não com abundância de palavras inúteis, que exprimem poucas idéias

4°: NÃO SE LEVE TÃO A SÉRIO AO PONTO DE DESRESPEITAR-SE
Deixe de lado velhas rotinas e evite agredir a si próprio. Melhorar-se é o que de melhor você pode fazer aos outros.

5°: NÃO SE LEVE TÃO A SÉRIO AO PONTO DE DESRESPEITAR AO PRÓXIMO
Ser respeitoso deveria ser um dos primeiros pontos de qualquer caminho.

6°: CRIE O SEU CONFORTO
Aprecie os bons momentos e esteja em situações confortáveis e que exprimam o bem estar.

7°: EVITE VERDADES ABSOLUTAS
Reinvente-se. Reveja conceitos. Mude de idéia. Relaxe e permita que as pessoas e a vida lhe surpreendam a qualquer tempo.

8°: RELACIONE-SE FLUIDICAMENTE COM A NATUREZA
A natureza é nossa casa, tenha hábitos saudáveis e uma consciência ampla sobre os ciclos da vida.

9°: SORRIA MAIS
Não tenha vergonha de rir quando assim o desejar. Seja autêntico e descubra que rir pode ser uma maneira de libertar-se do padrão.

10°: NÃO TENHA PRESSA
O melhor do caminho é a paisagem, reavalie sua lista de pendências e administre as urgências eliminando assim a sensação de frustração 

11°: DESAPEGUE-SE DAS VISÕES DISTORCIDAS
Reflita e medite, reavalie os seus valores e como eles se ajustam a sociedade, por vezes uma quebra de paradigma pode levar a um melhor entendimento sobre a vida.

12°: SIGA SEUS INSTINTOS
Pare de ignorar os sinais que seu corpo emite a todo instante.
Somos animais. Coma quando tiver vontade. Durma quando tiver sono e tente aplacar seus desejos sexuais sempre que possível.

13°: PRESERVE SENTIMENTO
Invista seu tempo cultivando positividade e tranqüilidade. Sentimentos são artigos preciosos e devem ser aplicados ao cultivo do amor, da felicidade e do prazer.

14°: BUSQUE O PRAZER
O prazer pode levar ao autoconhecimento, conhecendo o seu ritmo e reconhecendo os seus limites. Não tenha medo de desfrutar do êxtase profundo latente de sua essência.

15°: ABANDONE A CULPA
A mente é um divino instrumento quando bem usada, você é o único responsável pelas suas atitudes, viva bem se libertando de limites e bloqueios, faça de tudo que esta em sua necessidade pessoal, preservando logicamente pessoas e não tornando os seus atos viciosos.

 Espero que tenham tido o mesmo prazer que tive ao interpretar essas dicas, o que vale é o prazer de se estar completo na realização dos seus atos e seja feliz.

Abraços Fraternos,

Ricardo DRaco


Cordialmente,

segunda-feira, 12 de março de 2012

Cactos abrindo as Portas da Conexão

Escrevo este artigo com base na jornada pelo mundo das plantas de poder e no grande sentido de manter a palavra para com um irmão dos Andes, resolvi escrever por amor e não apenas por sabedoria, escrever com amor implica em colocar muitas outras coisas de nossa alma peregrina.

Vou sair das mesmas colocações que muitos fazem sobre o mundo das ervas de poder, aquela rotineira quebra de realidade e reavaliação de conceitos, sim eu sei que poderia escrever por horas e horas, pois ao contrário das outras ervas enteógenas o Cacto Wachuma é um espírito sábio e falador, mesmo se comunicando em outra língua (espanhol) se faz tão claro que começo a entender coisas que já sabia, é engraçado pensar nisso, mas por vezes decoramos o conhecimento, contudo ele é como uma árvore sempre crescendo e devemos alimenta-lo sempre o regando com boa agua, com a agua da reflexão continua.

Passamos pela Bolívia, atravessamos o deserto por 3 dias, lá entendi o verdadeiro valor do silêncio e assim permitindo o silêncio pude escutar o conhecimento das montanhas, da terra, do vento, através do deserto passamos as fronteiras do Chile em busca do que achávamos necessário e ali começamos a separar o que imaginávamos do que é realmente era a peregrinação, existem locais que foram sagrados e embora todo o respeito por esses espaços nada mais existe a não ser a propaganda turística, ao perceber isto desviamos nossa rota para Cuzco (Peru), algo que não havíamos planejado e como algo realmente mágico o poder nos chamou e ao pisar na cidade fizemos uma ligação a um amigo que morava em Lima (Capital) e já trabalhava há décadas com a medicina indígena peruana e pelo destino ele estava justamente na cidade em que acabávamos de chegar, aliás, estava a poucas quadras de nossa pousada, em 1 hora estávamos preparados para ir a locais e tomar ciência da medicina dos cactos.

Eu até pensei que em um artigo poderia escrever resumidamente, mas creio que perderia momentos chaves e frases de sabedoria, então amanha volto ao assunto.

Gracias a mi hermano jaguar

Ricardo DRaco
 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Bruxaria Tradicional - Caminho de Santiago- Enfrentando Inimigos

O Conselho de Bruxaria Tradicional indica este belo texto de Yellow Cat, mais artigos no blog: http://dannyyellowcat.blogspot.com/2011/03/licoes-do-caminho-de-santiago.html

 

Lições do Caminho de Santiago: Enfrentando Inimigos Ardilosos


No início do ano de 2008, quando num roupante tomei a decisão de que iria a Espanha, percorrer o caminho de Santiago da Compostela, já no mês seguinte, não tive - e nem pensei muito nisso - nenhuma preparação física especial.

Para mim, na inocência de quem não possui a vivência ainda, a questão era muito, muito simples mesmo, bastava caminhar. E caminhar eu já sabia! Ponto pacífico. Bastava ter a coragem de ir. Era para mim um exagero os relatos que cheguei a ler de pessoas dizendo que começaram a fazer caminhadas seis meses antes, com aumento gradativo da quilometragem, com treinos específicos para fortalecer a musculatura e coisas do tipo.

Acreditem, por mais que pareça imprudência da minha parte, na realidade, eu sabia que se me propusesse a realizar, sem sombra de dúvidas eu realizaria. Sempre tive boa saúde, não tenho força, mas tenho resistência e flexibilidade, enfim, meu corpo sempre me ajudou nas minhas loucuras.

E foi dessa forma que desembarquei em Madri, sem preparo algum, confiando nos limites do meu corpo que eu achava que conhecia. Eu sabia que era loucura, mas a minha alma gritava comigo e eu não podia deixar de atendê-la.

No meu terceiro dia de caminhada, depois de já passar por alguns desafios iniciais ( o meu primeiro dia no caminho cabe um relato a parte, que deixo para contar em outro post), eu já estava completamente exausta fisicamente.

Cada passo me era um grande esforço, a mochila parecia pesar bem mais que os quatros quilos pesados na alfandêga e pareciam ter colocado chumbo no meu tênis. Eu não tinha mapas, sabia apenas que devia seguir as setas amarelas e procurava alucinadamente por elas a cada pisada com medo de deixar de visualizar alguma e me perder. Tolice a minha! quando você não conhece nada de onde esta, jamais esta perdido. Ou melhor, já esta perdido de qualquer forma.
Quando eu conseguia uma referência que me indicava o quanto eu havia progredido, minha sensação era de ter andado 100 quilometros, quando para meu completo desânimo, haviam se passado um ou dois.
Parar e descansar era uma constante para mim.

Uma destas paradas se deu em algum ponto na cercanía de Logroño. Acredito que era um pouco depois do meio-dia. A paisagem era uma trilha aberta no meio de uma interminável planície, de onde, bem ao longe, distando uns três quilometros, se podiam ver montanhas que limitavam o horizonte. Encontrei um local onde era possível se encostar de forma mais acomodada, tirei o tênis, mas continuei de mochila, para dar menos trabalho ao recolocar e peguei no sono assim, na beira da estrada, no meio do nada.

Não tenho noção de quanto tempo fiquei ali, me recordo apenas de ter acordado com dois cachorros enormes e gordos baforando na minha cara. Imaginem o susto(especialmente para quem tem alma felina como eu!), abrir os olhos e dar de cara com um cão pastor te lambendo. Levantei o olhar, ainda um pouco atordoada pelo sono e pelos cães e a minha frente estava uma senhora, já com seus mais de 60 anos, que logo entendi ser a dona dos cachorros.

Não se assuste, eles não vão te fazer nada, são mansos, ela de pronto me falou toda sorridente.
Ao me erguer para conversarmos, ela continuou: "Você vai a Santiago? Quanto você andou hoje?"
Respondi que sim e naquela manhã eu havia caminhado quinze quilometros, pretendendo dormir no povoado seguinte, que daria pouco mais de cinco quilometros dali.

Sem muitos rodeios ela continuou: "Neste passo você não vai chegar. Conheço muitos peregrinos que passam por aqui e você esta muito lenta, precisa andar mais de vinte e cinco quilometros por dia pelo menos e você com quinze, não vai chegar. Sozinha ainda, é perigoso, tem muita gente que morre fazendo essa tolice"
Perdi as contas de quantas vezes ela me repetiu "No te vas a llegar en Santiago, peregrina"

Um profundo abatimento tomou conta de mim ao ouví-la. Pensei, "ela esta certa". Ela vive aqui, é uma velha, deve saber oque esta falando.

Era um despropósito estar ali, passando por aquilo, com tantas dores no corpo, com tanta sede, enquanto existiam tantos locais turístico para se visitar na Espanha, hotéis confortáveis e chuveiros quentes. Não era caminhar pelo meio do mato que iria mudar alguma coisa na minha vida, nem apagar aquelas dores de amor que todo mundo leva no peito. Eu não precisava passar por aquilo se não quisesse, era livre para mudar de rumo.

A mulher a minha frente continuava a sorrir e me dar certeza do fracasso. Cada vez mais perceptivelmente feliz por me perturbar. E eis que de dentro do mato, veloz como a luz, uma lebre cruza a trilha e é prontamente perseguida pelos dois cães. Esta cena me tirou do meu ensismesmamento como se me desse um tapa e meu próximo pensamento foi "eu sou veloz como a lebre e não retroativa como os cães".  Voltei-me então para a senhora, mirei bem o seu olhar e então entendi exatamente oque ela estava tentando fazer.

Mesmo tendo passado a sua vida inteira bem na reta daquela caminho ancestral e visto a incontáveis pessoas repetirem a mesma trajetória, em busca de seus sonhos, em busca de um encontro com sua própria essência, ela nunca houvera se atrevido a fazer o mesmo. Preferiu sempre o mais seguro, o mais sensato, permaneceu comedida e a margem da sua vida e obteve em contrapartida o mesmo comedimento sem emoção, sem paixão, insosso que doou a tudo e a todos. Foi refém de seus medos e chegava agora ao final da vida com a amargura de quem se privou do prazer. Era alguém triste, que ainda por medo de encarar sua própria covardia diante da vida, tentava minar os sonhos alheios para que não ficasse claro o quanto ela havia perdido. Se mais alguém desiste, então fica mais fácil de convencer de que a vida é difícil para todos e as coisas são assim mesmo.

Foram todas estas coisas que eu pude ler no olhar dela, vendo cada real intenção camuflada em cada palavra de desmotivação.

E eu quase me deixei enganar!
daí a importãncia de você não se basear no caminho alheio, ele jamais será o seu.

E o meu coração é forte, por isso não sou de me entregar sem lutar, também com um belo sorriso dei a nossa conversa por encerrada e disse a ela, "bom, vou caminhar e quero ver até onde eu chego."
Calcei o tênis e quando já me distanciava uns passos, numa última tentativa de me enganar, de me desviar do que eu havia vindo fazer ali, a triste mulher ainda me informou que se eu virasse a esquerda na trilha, saindo da reta, a cerca de dois quilometros iria encontrar uma fonte de água fresca, própria para consumo. Eu estava sedenta e dois quilometros, acreditem, para quem tem de caminhar muito, faz uma grande diferença, pode ser a escolha entre chegar ao seu destino aquele dia ou dormir no mato.

A sede era grande, mas não havia porque escutar qualquer conselho de alguém tão amargurada. Segui sedenta, mas não me desviei do caminho, segui sedenta, mas continuei caminhando.

Antes de chegar a próxima cidadela, cruzei com um senhor pastorando ovelhas e lhe perguntei sobre a tal fonte da qual a mulher me falara, para minha surpresa ele me disse que naquela direção não havia água, havia sim uma descida longa que não dava em lugar algum e por vezes confundia os peregrinos que não prestavam atenção nas setas  - e nos sinais - e seguiam pelo caminho errado.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - Inspiração Divina do Ocultismo

As coisas do mundo são bem mais fáceis do que pensamos, elas se tornam mais complexas na medida que focamos na dificuldade das ações. Revendo alguns textos e artigos percebo o quanto alguns se perdem e ficam confusos com suas crenças, precisam sempre colocar as dificuldades e tortuosos momentos como base para caminhar, colocam crucifixos, caveiras, encruzilhadas, explicações mirabolantes,  e tantas coisas que olhando toda essa obscuridade, chego a pensar que não sobra espaço para luz, para lucidez, somente para a dificuldade, para tentar entender o oculto como se fosse necessário ganhar poderes para ver no escuro, o que sinceramente uma lanterna seria muito mais fácil.



O que posso dizer sobre o meu caminho é que ele é de extrema beleza, coeso, claro, tranquilo, sábio e gratificante, as pessoas se libertam, saem dos seus labirintos, se tornam melhores, ampliam sua visão sobre o mundo, tanto nesse mundo quanto em outros.

O ocultismo esta ai para ser revelado, para ser decifrado, é um caminho digno para gente que aprende a cada dia, que observa além dos seus limites, dos seus pensamentos e bloqueios.

Vejo o Conselho de Bruxaria Tradicional com esperanças muito concretas, a cada dia ajudando mais e mais pessoas a se encontrarem, a conhecerem, lembro que quando entrei na internet pela primeira vez, onde começamos a realizar este trabalho com chats e comunidades o objetivo era esse, mostrar um caminho alternativo e fazer parcerias e depois desses anos todos vemos que o objetivo continua o mesmo, o ideal não morreu, por mais que tenhamos encontrado dificuldades, decepções e tristezas, e digo mais! Valeu a pena, pois tivemos a oportunidade de criarmos algo que tivesse valor e sentido.


A internet é uma ótima ferramenta de divulgação, mas prefiro o contato físico, olho no olho, pois na internet temos muitos "sábios" e eu sempre preferi pessoas a personagens.

E a inspiração divina do ocultismo? Eis a grande resposta que muitos procuram, somente se desvenda o que esta oculto quando você se inspirar de tudo o que é divino e começar a pensar e agir com coesão e fluidez, fora disso viverá num mundo ilusório para tentar camuflar a sua verdadeira situação.

Ninguem aprende por que o outro ensina, aprende quando se permite escutar, absorver e levar para o seu dia a dia.

Oimelc nos espera, e com os festejos essa leveza primaveril, essa poesia e magia, que a divindade te inspire na arte da vida.

Gratidão!

Ricardo DRaco
Aquele que peregrina na Ibéria!
Conselho de Bruxaria Tradicional no Brasil




quarta-feira, 16 de março de 2011

Fiz minha iniciação e agora?

Para alguns essa pergunta nunca seria levada à tona, pois uma iniciação passa a ser apenas mais um título que fica na bolsinha esotérica, junto do horóscopo e de tantas outras lembranças.

E agora? Isso vai depender de sua visão sobre o que é uma iniciação, pode ser o devido reconhecimento por uma bela caminhada, com dificuldades e lutas principalmente nos primeiros estágios que é uma busca por quem você realmente é, trabalhando suas crenças, seus traumas, sua visão e limitação, aqui eu diria que é um momento de reflexão, de entendimento por tudo o que se andou, por tudo o que se percorreu, é o momento de fazer a devida analise, fazer os cálculos e traçar o rumo para uma nova peregrinação.

Para quem acredita que uma iniciação lhe promove dons especiais, que sua vida vai melhorar e terá dinheiro, amor e todo tipo de alegria, lamento dizer, mas isso não acontece sem o diário aperfeiçoamento do estado de viver bem e melhor, você ainda sentirá a dor, o medo, o lamento, terá que caminhar, aprender e vivenciar, será que todas essas expectativas foram geradas por quem te iniciou? Ou foi você mesmo que acreditou nisso diante dos contos milagrosos dito por alguns expoentes do mundo cinematográfico?

Lembro de uma vez que me indagaram sobre isso, o que uma iniciação traria, disse que quanto mais próximo do caminho dos deuses, mais deuses seriam; o fato é que a natureza não dá saltos, temos que a cada momento sermos mais e mais sábios e vivenciarmos o maior número de ações, nosso padrão vibratório não irá mudar, somente por que alguém que te iniciou desejou, ele até certo tempo pode trazer algumas influências, mas cabe a você ter uma visão diferente daquela na qual você chegou.

Geralmente as pessoas estão tão preocupadas com seus mestres, ou melhor, com os outros, que chegam a ser incapazes de se auto-analisarem, chamamos isso de miopia mística, alguns pensam que quanto mais antigo é o tal caminho, o tal templo, a tal ordem, isso o fará melhor, esta ilusão deve ser quebrada!

Hoje vejo tantos jovens falando de “Ordens Iniciáticas” com belos nomes em latim, se atestando que é antigo ou que é jovem, mas deriva do antigo, que tem permissão para o culto, que é oficial, e tantas coisas sem sentido, a não ser a limitação espiritualista baseada nas muletas das “imaginárias certificações holísticas”.

Comentando, com um aprendiz, disse o que digo sempre, que se o sujeito tem que se respaldar no nome de alguém, é por que sua filosofia/ caminho não tem estrutura em ser plena sozinha. O melhor caminho, a meu ver logicamente, é aquele que te inspira por boas paisagens, o que te torna melhor, mais amplo, mais verdadeiro. E francamente tenho visto muita gente tentando imitar os meus passos quando na verdade deveria parar de pisar nas minhas pegadas e escutar o que eu digo, ou caso tenha esse interesse em aprender tanto sobre minhas crenças, é simples, é só pedir, adoro compartilhar, a peregrinação não é um caminho dos ditos “segredos ocultos” e sim um ato filantrópico de partilhar.
A melhor peregrinação esta na alma, esta na marca que ela causa ao caminhar pela arte da vida, coisa que nenhum ser imaginário vá te marcar, tal como se marca um gado!

Percebo que tanta gente tem vontade de ensinar, e isto é bom, vejo tantos buscando caminhar em caminhos tradicionais, o que realmente falta, seria a humildade de entenderem que esse caminho não pertence a alguém, o caminho é dado para quem sabe caminhar por ele, conhecer suas paisagens, falar sobre as “tradições da antiguidade” esta muito além de suas crenças, e geralmente esquecem desse agregado, e sentimos ser uma pena, pois se satisfazem bebendo em copinhos de plástico enquanto poderiam mergulhar profundamente sobre essas águas tão vastas e enriquecedoras.

 Autor: Ricardo DRaco

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Aprendizado na Bruxaria Tradicional


Por algumas décadas ensinando Bruxaria Tradicional, refletimos sobre algumas situações, a primeira delas é o fato de confundirem Bruxaria Tradicional com diversas sendas e influências de outros caminhos (sendas místicas). É comum observarmos em muitos bruxos, ou melhor, magistas, utilizando de outros objetos tal como pentagramas, estrela de Davi, Ank, entre outros amuletos que identificam com outras religiões, sejam pagãs ou não.

É também comum encontrarmos ainda pessoas baseadas no anti-cristianismo devido ao período medieval, e ainda assim dizerem ser bruxos e ainda bruxos tradicionais, mesmo que para isso não se importem em fazerem diversas misturas de “ordens tradicionais”, mas criticam neo-religiões por fazerem o mesmo.

Temos um outro bloco de solitários, que perdidos em seus egos, criando uma pseudo iniciação dada pela vovó, dizerem que são bruxos tradicionais. O que conceitualmente poderiam dizer hereditários ou familiares, mas se perdem no que dizem e misturam conceitos new age, com satanismo, com neo-paganismo, com cultura africana, entre outras misturas.

Portanto, nunca haveria um comum senso conceitual, de fé, ritualístico, de dialogo, e assim pensamos que se ao menos fossem sinceros com suas reais crenças e parassem de se auto proclamarem algo, haveria mais êxito e com total certeza melhor aprendizado.

Tradicionalidade é um agregado que vai de costumes, folclore a crença, pois bem, falaremos em específico de “crença”, tradicionalidade é preservação, reconstrução talvez, mas nunca mistura, ecletismo, o famoso “samba do crioulo doido”, onde se mistura sistemas mágicos africanos, ciganos, indígenas entre outros.

Por fim Tradicionalidade é oposta a Ecletismos e Modernismos, esses modismos são sempre distorcidos para o sinônimo de contemporâneo, que é outro entendimento, se assim não o fosse não estaríamos falando de bruxaria na internet! uma total falta de bom senso.

Então fica claro, para a boa língua portuguesa, do que se trata o tradicional, mas e o termo bruxo?

Daí encontraremos mais algumas diferenças populares sem sentido, primeiro o termo fazer “bruxarias” como “magia negra”, onde até o Exu do barracão X é mestre em bruxarias.

Temos a visão esotérica, onde o sujeito, aprende algumas linhas ocultistas, compra seu caldeirão, gosta de culinária, gosta de pedras, de ervas, magia natural, e pronto temos mais um “bruxo” nascido de workshop algumas vezes, por outras é auto didático e invade cemitérios e encruzilhadas e ai sim temos o bruxo gótico, maquiagem pesada, cara de mal, roupa preta, disposto a chocar qualquer um que cruza seu caminho, como ato de rebeldia.

E finalmente a visão que apreciamos que são os cultos anteriores ao cristianismo, de origem pagã, magia fluídica, ou seja, natural, que honra a ancestralidade (fator de tradicionalismo), que é politeísta (Teologia compatível com o Local e a Época), visto que os povos honravam deuses, e nunca arquétipos da psicologia de Jung, entre outras atividades.

Hoje temos pessoas que se interessam em estudar Bruxaria Tradicional com profundidade, sem se basear unicamente em autores vivos ou falecidos, que alguns infelizmente utilizaram do rótulo para alcançarem maiores vôos marketeiros. As pessoas buscam uma espiritualidade alternativa e não um conjunto de práticas mágicas, que muitas são encontradas na barraca de jornal ou em sites que permitem download de livros em pdf.

Alguém realmente acredita que se aquilo tivesse tanto poder mágico, estaria ali disponível para qualquer um comprar ou baixar? Será que um feitiço para arrumar namorado é o que você precisa? Não seria melhor alterar seu modo de observar o mundo?

A Bruxaria Tradicional é um caminho em que não se pode "levar com a barriga", é necessário perseverança, poder pessoal, intelecto, senso crítico, visão de mundo, estudo focado entre muitas outras coisas; existem grupos que exigem tese com critérios acadêmicos para se passar a um novo estágio, existem grupos que fazem testes para que estes aprendizes mostrem seu grau de conhecimento.

Portanto, se o teu objetivo é feitiçaria, simplesmente, temos total convicção que você será feliz em qualquer outro local, mas não na Bruxaria Tradicional, esta meu caro é feita de suor, lagrimas e sangue, não é um caminho para quem quer “ser bruxo” é um caminho para quem não “precisa ser bruxo”.

O Conselho de Bruxaria Tradicional nasce com o objetivo de ser uma entrada para este caminho, não queremos ser a única porta, mas que esta porta seja clara e sincera e te permita uma visão alternativa e não um disfarce para as tantas outras que já existem.