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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Busca pelo Poder Animal na Bruxaria Tradicional

"Na busca do Poder Animal o qual irá lhe ajudar em sua jornada entre os mundos."

É comum encontrarmos pessoas interessadas na busca pelo seu animal guardião,  a maioria é iludida em workshops de um dia ou uma vivência de final de semana, onde encontram o animal que já queriam ter, geralmente encontram águias, grandes felinos, lobos, mas nunca insetos, passarinhos entre 
outros menos apresentáveis e que não geram o status de poder.


  Depois que "recebem" guardam em suas mochilas místicas, junto com signo, ascendente, orixá, deus de afinidade, entre muitos outros atributos que favorecem apenas a superficialidade da caminhada.

Existe técnica (fast-food) para encontrar seu animal de poder? Resposta é obvia, não! Não existe, o que existe é um trabalho intenso de conhecer a si próprio, entender a sua essência, a sua aparência, os seus gostos, habitats, resposta a ações, suas fragilidades, seus potenciais, e somente convicto de ser quem realmente você é, encontrará seu animal guardião, e através dele um propósito que se baseia em diversos objetivos, desde cura pessoal até projeção astral. 

Dentro dos diversos segmentos da Bruxaria Tradicional encontramos uma diversidade de cultos, porém escrevo específicamente sobre Bruxaria Tradicional Ibero-Celta.

Fundamento, é que não existem animais que não sejam da   região da linha mágica, ou seja, animais europeus e do lugar cultuado, em nosso caso, no Brasil. Portanto, não encontraremos elefantes (origem africana).





Animais Guardiões  
Em poucas palavras, é sua essência física,
 é como se age em situações rápidas  
instintivas, porte físico, habilidades, clima e 
local que se sente mais a vontade.

Animais Auxiliares  
São aqueles que nos ajudam em determinado momento de nossa vida, nos emprestam a força, 
a agilidade, a temperança, a sensibilidade, e geralmente favorecem um bruxo em uma determinada questão.
Animais de Poder  
Um canal direto para a sabedoria em outros planos, são mais etéreos em suas aplicações, mais sutis, e são unicamente encontrados em iniciações ou traumas profundos, tal como voltar de um coma.
Animais Totem
 Estes expressam uma coletividade, tal como uma representação de brasão de uma cidade, nome de uma tribo, de um povo, e existem em diversas culturas ancestrais no mundo. 
(veja mais sobre este tópico)

Encontramos também dentro da mitologia o apanhado de contos (cheios  de sabedoria para quem consegue ver além das palavras). Podemos citar a transformação animal, isto de acordo com a vontade pessoal ou através de uma punição. 

Há muitas estórias tradicionais relatam a transmutação em animais a fim de que possam aprender uma valiosa lição.

Cada estória nos mostra além da busca pela sabedoria, a intervenção de um protetor ou guardião do local, um deus, um ser do outro mundo pelo qual é encaminhado o peregrino diante de um portal ou nova visão. 
 
  Também podemos encontrar animais sagrados fazendo menções diretas a deuses tal como o cavalo para Epona, o corvo para Lugo, o gamo para Taliesin.

As técnicas de êxtase como ferramenta de busca de sabedoria, não visam uma causa superficial do próprio ego. A jornada, seja através do montar de um cervo branco, ou através do som do black bird é um principio que nos leva a crer que existe muito mais do que nossos caprichos pessoais. 


Autor: Ricardo DRaco
Conselho de Bruxaria Tradicional
Bruxaria Tradicional Ibero-Celta

Animal TOTEM - A influência dos animais em Brasões

"(...) é necessário destacar que a heráldica foi o berço inicial de todas as MARCAS e logotipos que infestam o mundo hoje em dia e valem bilhões de dólares. (...)"

Anibal de Almeida Fernandes

O totemismo segue seu curso, resistindo às grandes transformações históricas, em nomes próprios, brasões, marcas de fábrica, selos, timbres, carimbos, medalhas, ex libris e até em marcas e logotipos pessoais. Como ele também se transforma, por vezes seus vestígios são residuais. Mas não é difícil que o totemismo reapareça de forma menos secreta. Bichos... vários. Muitos, até. E, como se estivessem soltos na natureza, eles se proliferam. 

Vale a pena conferir o zoofenômeno, na heráldica, um mundo de signos visuais, onde palavras podem entrar, mas não são os elementos principais. Principal, no brasão de armas, é o desenho. E a moldura, que é o escudo, um limite de "quadro".

Pois é o pesquisador Anibal de Almeida Fernandes, em Heráldica: origens, símbolos, desenhos e sua presença no séc. XXI (fev. /2007), quem esclarece nesse campo.

Os animais mais utilizados em brasões são:

"(...) ►►O leão é o animal mais usado, e importante, ele é o 1o registro heráldico histórico, aparecendo no escudo de Geoffrey Plantageneta em 1127. Entre os 195 escudos relacionados no Herald’s Roll, do sec. XIII, aparecem 43 leões, 3 águias, 3 peixes, 1 urso, 1 coruja, 1 grifo e 1 cegonha. Os dois primeiros reis ingleses a usarem a heráldica foram Ricardo Coração de Leão, fal. 1199, e William I, o Leão da Escócia, fal. 1214, e ambos têm leões em seus brasões. 

 
O 1o grande Selo Real é de Ricardo da Inglaterra que é registrado historicamente em 1189 com 1 leão como arma, em 1195 aparece outro selo real com 3 leões. No séc. XIII começam as regras para normalizar as armas armoriais nos brasões, expl: o leão tem que estar sobre 2 patas e a cabeça de perfil, porém houve um problema com os leões do brasão real inglês que estão sobre 4 patas e com a cara para a frente e foram, por isso, batizados de leopardos da Inglaterra. Porém, no séc. XV, os reis de armas concluíram que o leopardo se origina do cruzamento adúltero do leão com o pardo, (provavelmente um cheetah), e, portanto não é digno/condizente para o rei da Inglaterra usar 3 bastardos em seu brasão e, por isso, os leões da Inglaterra passam a ser chamados de leões em guarda, para distingui-los dos leões sobre 2 patas.

 
►►A águia (pg 30) é a mais importante das aves, é muito usada na Idade Média e tem nos céus a mesma importância que o leão tem na terra.

 
►►O golfinho (igual ao delfim=pg 101), era muito usado e sua importância nos mares, equivale à do leão em terra e à da águia no céu. Guarnece o brasão do herdeiro do trono francês, o Delfim de França.

 
Outros animais:
Em 1510 aparece no brasão de Robert Lord um tragopam, pg 36 que é um pássaro himalaio que apresenta uns pequenos chifres, e não se tem idéia do porque de tal excentricidade(?) em pleno séc. XVI.
 
As serpentes pg 36 aparecem na heráldica da época Tudor, porém outros répteis são raríssimos.
 
Em 1552 aparece um peru, pg 37 adornando o elmo do brasão de Robert Cooke of Midham. Nota: o peru veio da América para a Europa com os espanhóis e, para a Inglaterra com Catarina de Aragão.
 
Em 1591 aparece no brasão de John Brown of Spexall uma ave do paraíso, pg 37 e ela é desenhada sem pernas (pois voava eternamente .... daí, paraíso).

 
A pantera aparece no brasão de Jane Seymour 3a mulher de Henrique VIII, morta em 1537, pg 75.

 
O tigre pg 69.
O castor pg 32 que reza a lenda que, quando perseguido, se castra a si próprio com seus dentes (parecendo saber que os seus testículos são muito valorizados para o tratamento médico).

 
O elefante, pg 81 freqüentemente com um castelo nas costas.

 
Os insetos, aracnídeos e crustáceos, foram de uso muito limitado na época medieval e no período Tudor, com algum destaque para: o gafanhoto (pg 43) e o besouro (pg 43).

 
Os camaleões (pg 41) e os sapos (pg 42) esses, sempre de perfil ou de frente. Uma questão intrigante sobre sapos como arma armorial é o brasão do rei Faramundo, ancestral dos reis merovíngeos (ele é considerado bisavô de Clovis Meroveu, séc V d.C., fundador da 1a Dinastia real de França), que mostra 3 sapos em um campo negro pg 31. A dinastia merovíngea dá muita importância aos sapos dando-lhes qualidades místicas e vem dessa época as histórias de fadas com o sapo virando um príncipe no final. Vem daí, também, o costume dos flamengos na guerra dos 100 anos, chamarem os franceses de froggy, (sapo).

Aqui se pode intuir uma possibilidade histórica, pois como o sapo vive nos rios, entre as Íris aquáticas, pode haver nisso uma explicação para a evolução do sapo do brasão de Faramundo, para as flores de lis do brasão real de Luiz VII de França, da 3a Dinastia Real de França, 700 anos depois (item 10).

 
O cavalo pg 112 aparece muito raramente na heráldica, pois era considerado um animal subserviente e, portanto, sem nenhum apelo de bravura. 

 
O macaco pg 92.
O antílope pg 68. 
 
O arminho, pequeno rato da Armênia, (branco com a cauda negra) é muito usado desde o início da heráldica no séc. XII, principalmente na Bretanha. 
 
O veiro (vair) é um gato africano, cinza azulado, com a pele usada nos mantos reais, e muito usado na heráldica a partir do séc. XII e aqui cabe uma nota de amplo interesse: 
 
“houve um erro na tradução da antiga história da Cinderela e os seus famosos sapatos de Vair (pele de veiro) foram erroneamente traduzidos por Verre (vidro) e se consagrou esse erro grosseiro, como os famosos sapatinhos de cristal !
 
Nos séc. XVI, XVII, XVIII, as armas armoriais são muito convencionais, usa-se muito o lobo, o urso e o falcão. A raposa, por ser pouco nobre em suas qualidades, quase não é usada.
 
No séc. XX aparecem o salmão, a truta, o peixe papagaio, o peixe voador e o peixe sol.
 
O escorpião é muito usado no séc XX. A aranha está ausente das armas armoriais, apesar de fazer uma correspondência com o nome de família Web ou Webber (...)".





Fonte: http://www.sfreinobreza.com/anibalheraldica.htm