Mostrando postagens com marcador bruxo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bruxo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

NOTA DE ESCLARECIMENTO E REPÚDIO


NOTA DE ESCLARECIMENTO E REPÚDIO

Tendo em vista as diversas notícias publicadas na imprensa

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/01/06/rs-esquartejamento-de-duas-criancas-teria-sido-ritual-encomendado-a-bruxo-diz-policia.htm

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/morte-de-criancas-em-suposto-ritual-satanico-no-rs-custou-r-25-mil-diz-policia.ghtml

http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2017/10/noticias/regiao/2180729-policia-suspeita-que-irmaos-tenham-sido-mortos-em-ritual-de-magia-negra.html

na primeira semana de janeiro de 2018, o Conselho de Bruxaria Tradicional no Brasil, vem por meio desta publicar oficialmente aos cidadãos, autoridades e imprensa nossa nota de repúdio em relação ao caso das crianças argentinas esquartejadas em Nova Hamburgo, onde o suspeito de tal ação nefasta foi identificado ou se auto intitulou, equivocadamente, como bruxo.

Cabe esclarecer que a Bruxaria possui crenças completamente distintas das visões distorcidas colocadas de forma infundada como sinônimos para Satanismo, Magia Negra, Quimbanda, Vodu entre outras e vale a definição abaixo:

A Bruxaria é uma religiosidade europeia, historicamente pautada na Era Antiga, cujo fundamento religioso é o Paganismo, originária de cultos ancestrais agrários e de práticas de magia natural. 

Dessa forma a Natureza nos é sagrada e divinizada, sendo fortemente ligada à sazonalidade da terra e onde existe uma pluralidade de divindades cultuadas, portanto politeísta. 

Preservamos os conhecimentos ancestrais, bem como o folclore e a cultura dos povos nativos europeus; tampouco, acredita-se ou cultua-se o mítico ou alegorias cristãs como anjos, demônios, inferno e paraíso, sendo estas completamente alheias a teologia pagã.

Ressaltamos que a Bruxaria em sua religiosidade não existem práticas criminosas e que grande parte de sua fama vem de encontro ao período Medieval, onde a Igreja Católica a classificou como qualquer religião, crença ou prática que se distanciasse de sua teologia, bem como as tratou meramente como práticas malignas e pecaminosas ao qual se perduram em nossa sociedade até os dias de hoje.

Devido a total distorção e desinformação de nossas crenças, ainda encontramos matérias, filmes e pessoas que se auto intitulam bruxos, mas que teologicamente não correspondem a este legado.

Dessa forma, não reconhecemos o suspeito do crime em questão como bruxo, nem tais atos, os quais tomamos ciência pelos meios de comunicação, como pertencentes à nossa religiosidade.

A comunidade pagã reafirma sua surpresa sobre atos relatados e os repudia.
No mais, nos colocamos à disposição para colaborar com eventuais esclarecimentos.

Atenciosamente,
Conselho de Bruxaria Tradicional
http://www.bruxariatradicional.com.br

quinta-feira, 25 de abril de 2013

BRUXARIA TRADICIONAL: UMA HOMENAGEM AO MORTO



Com os finais cheios de atividades recebi um convite que não pude negar de comparecer, era um chá de bebê do filho de um grande mestre, e lá estava eu observando o ritual da vida, ou pelo menos, da espera da vida. Crianças brincavam e lembrei-me das brincadeiras de infância, o gosto por experimentar os doces da mesa e rever os amigos com abraços e sorrisos pela alegria da vinda de mais um membro à coletividade, foi quando recebi um telefonema que me chamava para um cenário totalmente diferente, antes a ritualização da vida e posteriormente a ritualização da morte.
Claro que isto nos faz pensar inevitavelmente sobre o ciclo da vida, e o que antes eram risos e descontração se dera a um novo cenário de pesar e silêncio.

Um dos conhecimentos que nos bruxos aprendemos, pelo menos os que seguem um caminho tradicionalista, é o entendimento sobre o ciclo de vida e que por muitas vezes acontece por observância das estações do ano, um contato, uma ligação tão compassada que se torna natural e se nos emocionamos com as vindas e idas não são pelo sentido da perda e sim pela vontade que temos de ver a todos que gostamos bem.
Estava conversando com uma moça que frequentava um centro kardecista, notadamente abalada começou a disparar sobre sua vida, sentei em uma poltrona confortável do velório e me pus a escutar todo o processo de vida dela.

Ela me dizia que:
"Antes eu estava indo a um Centro Kardecista, mas não me senti muito bem em ter que pedir ajuda novamente àquele local, as pessoas devem estar cansadas de mim, daí recebi uma ligação de uma amiga me convidando a um Terreiro de Umbanda, fiquei com medo, mas embora minha cabeça estivesse em conflito com o local, o meu coração estava em paz e também chegando lá vi uma estátua de Jesus e Nossa Senhora Aparecida, isso tranquilizou meu coração e logo vi que o local era bom, nenhum local que não fosse bom teria uma estátua de Deus...."

E muita gente poderia me dizer: "- Ahhh Draco você deveria ter falado um monte....", mas sentado ali minha cabeça processava diversas visões e entendimentos mais profundos diante da vida, em como as pessoas somente procuram os locais como um local para resolver seus problemas ao qual elas mesmas poderiam resolver fazendo uma simples ação, fazendo suas reflexões. É claro que a gente que tem um espaço religioso pagão e pensa como uma simples estátua pode mudar a percepção das pessoas, daí vão me dizer que os cristãos são superficiais e eu diria que o efeito seria igual aos neo-pagãos que observassem uma estatua de Jesus em um altar bruxo, no fundo pessoas são pessoas e elas vão se apegar a qualquer coisa para tentarem comparar, julgar, ou manter o controle, já vi muito disso acontecer colocando apenas uma música diferente do padrão.

Lembrei-me de um querido mestre, seu nome é Luis, que deu uma palestra em um centro Kardecista e acendeu um simples incenso e recebeu diversas críticas.... Dizia ele: "Se vocês estão aborrecidos com o perfume é por que ainda não escutaram o que tenho a dizer!".
Mas voltemos ao velório, e já estava amanhecendo e no cemitério eu escutava atentamente as palavras da moça. 
"– Mas eu estou contente, agora sou macumbeira mesmo, e minha vontade é colocar logo de manhã um som bem alto de atabaque só para eles saberem com quem estão mexendo, assim que é bom, agora os meus vizinhos vão ter respeito, quero ver eles me chamarem de bruxa!"
Eu pensei comigo mesmo, o que nós bruxos temos haver com as "megerices" dos outros? Bem como percebi que muitas pessoas querem pertencer a caminhos afros ou magistas não para aprender, mas para que estes caminhos além de darem as soluções instantâneas para as suas vidas, ainda gerem um status de medo aos outros.

Tenho a impressão que no geral as pessoas estão mais ignorantes com relação à espiritualidade, usando de tudo como se fossem marcas de roupa e isto não é com relação a pessoas menos privilegiadas na sociedade, pois já tentei ensinar para gente sem dente bem como para membros da alta sociedade, para pessoas de ensino médio como para PhD e percebo que a essência da Bruxaria somente pode fluir perante a um espírito apto, que consiga estabelecer uma sincronia com essa correnteza dentro deste mar cheio de teses, filosofias e religiões.

Uma homenagem ao morto que se vai de olhos fechados, em seu barco em forma de caixão, perante o mar de lágrimas daqueles que deixou, para as profundezas, ao terminar sua transição entre os mundos diante do último tijolo que fechará a entrada do seu túmulo.




segunda-feira, 26 de novembro de 2012

BELTANE – Os Senhores da Terra part.1




“Bem vindos a minha Casa de Verão, dizia ele, o Senhor dos grandes Cascos!”

E chegamos aos portais de verão, depois de passarmos pela transmutação do inverno, do nascimento das flores na primavera, e diante de outros processos ao qual sempre me dediquei com a alma aberta, preparei mais um festival de nossa roda, o nosso belo Beltane, que foi dedicado a duas grandes divindades que foram responsáveis por nos ensinarem a transitar por este ciclo, ao Deus Belenos, senhor da comemoração, consagrador do período que clareou a nossa peregrinação com sua luz e despejou sobre nos as bênçãos de sua verdade ao qual nada se esconde e dá aos merecedores peregrinos um caminhar iluminado e prospero. Já a segunda divindade, pré-céltica e senhorio da floresta, onde seus chifres tocam o solo e o torna fértil e ordena sobre quem é digno de tomar a terra, aquele que anda pela floresta e integra tudo perante sua divindade, tocando aos filhos da natureza, coroando suas cabeças com coroas de chifres de caça e nas folhas verdes sacramentadas pelo toque dos elementais da mata. Saudamos a ti Cernunnos!

O INÍCIO
E o pré-ritual alcançava 1 mês de preparo, seguimos pela clareza do sol, e lá bebíamos da água fresca e do alimento acertado, sonhos e mais sonhos de verão, conectados estávamos aos mundos espirituais e ao lado dos deuses que passaram muitos conhecimentos e promoviam profecias e promessas que se concretizaram ao longo do mês, com grandes veracidade física!

Nossa casa novamente abençoada por peregrinos vívidos e interessados, cada um com suas buscas pessoais em uma fraternidade sincera e com objetivos comuns, alguns saiam de seus estados e cidades para se encontrarem previamente e poderem estar juntos pelo simples fato de vivenciarem um caminho belo e divino em sua essência. Alguns chegaram na quinta-feira em busca do conhecimento e interação e os trabalhos começavam antes mesmo do festival do final de semana! Grandes aprendizados, grandes vivências e direcionamentos.

A minha bela caverna, hoje renovada de energias, as estrelas brilhavam em seu teto como nunca e a estrela de prata se fazia presente em cada canto, o altar ao norte, o chão revelava em suas cores as águas primordiais de nossa essência, cultuada em diversas culturas como o nascimento de tudo, o som, o perfume dos elementais, e tudo estava equilibrado, claro e aconchegante!

E aos poucos eles chegavam com suas mochilas na quinta, outros na sexta e outros no sábado, entretanto todas as pessoas traziam em seus rostos o sorriso, a alegria de compartilhar com verdade este caminho tradicionalista, não usavam títulos, não se mostravam melhores que os outros, e no clima de liberdade e nos abraços sinceros nos reunimos em uma grande caravana para um novo sítio na cidade de Juquitiba. Seguimos em vários carros a pegar a belíssima estrada com paisagens arborizadas, ansiosos por chegar ao local!

Entramos em uma estrada de terra e não demorou muito a adentrarmos em um paradisíaco sítio, bem cuidado e com belas paisagens, alguns não viam a hora de entrar na piscina, outros estavam desejosos de sentarem a mesa diante da quantidade de alimentos ofertados, diversos pães, tortas, doces, sucos e chocolates digno das refeições hoteleiras! Nos quartos estavam camas com colchões confortáveis! A beleza do local geraram diversos elogios! Fiquei bastante contente com o local, mas mais contente ainda com a energia das pessoas e da interação que sentimos verdadeiramente que estávamos em casa.

Chegando ao local dividimos as pessoas nos cômodos, arrumamos os alimentos na cozinha e nos prontificamos a fazer a fogueira, toda a madeira já estava recolhida, troncos e mais troncos o que facilitou nosso trabalho, era tanta madeira que subia até o peito de um homem de estatura mediana! Ficamos imensamente agradecidos, a noite prometia!

E todas as pessoas interagiam com as funções sem precisarem ser "reconhecidas", elas simplesmente faziam com carinho e muito amor e conseguimos fazer tudo com tamanha sinergia que tínhamos muito mais tempo para realizar a transmissão do conhecimento, tirando dúvidas, entrando nas questões profundas, ah não posso esquecer-me do altar que maravilhosamente se concretizou de um modo tão belo e simples que não era necessário tantos adornos, a energia emanava tudo o que se pode esperar de um altar abençoado e diante dele fizemos nossas preces, nossas contemplações e nossas rodas de conversas conscientes e espiritualizadas! A lareira que aquece era provedora da luz de Belenos.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

BRUXARIA TRADICIONAL: BELTANE O Ritual


Sobre Beltane





Por fim chegamos aos portais do verão, a luz do Sol e sua vitalidade para com a madre Terra em nosso hemisfério, aquecendo o clima, deixando as coisas mais belas e claras, as folhas mais verdes, os animais mais inquietos, é hora de gerar a vida, da troca, da exteriorização, da plenitude, e este processo também invade o nosso psicológico nos tornando mais plenos em nossas realizações, mais vivos e até mesmo mais expostos ao nosso meio, o calor nos deixa com menos roupas! Como diriam àqueles que observam um calor de 30 graus ou mais. 



domingo, 22 de janeiro de 2012

BRUXARIA TRADICIONAL: NOTA DE ESCLARECIMENTO

Depois de dois anos trazendo ao nosso seleto público conhecimento sobre a religiosidade da Bruxaria Tradicional, e recebendo apoio da comunidade pagã, temos o prazer de divugar essa Nota de Esclarecimento.

Religião é apenas parte da vida! Curta a vida como um todo!



 

Cordialmente,

domingo, 23 de outubro de 2011

Bruxaria Tradicional analisando o Movimento de Reconstrução

O movimento de reconstrução no Brasil tem se tornado um movimento fragmentado, existem aqueles que se prontificam a criar dispositivos acadêmicos para entender as particulariedades dos povos antigos, observando como estudantes dedicados, contudo também existe uma minoria isolada que desfoca das matérias acadêmicas e se tornam um movimento  fundamentalistas esotérico/ religiosos, porém devemos lembrar que a origem e a essência da Reconstrução nasceu com o propósito de reunir matérias de história, antropologia, ciências sociais e demonstrar com humildade teses e não uma visão proselitista religiosa ou mesmo lançar as necessidades pessoais de aceitação ou ego, desalinhando de quem realmente se aplica unicamente a um respaldo sincero acadêmico.
Para alguns de nós, Bruxos Tradicionais, as matérias acadêmicas encontradas dentro do Reconstrucionismo são utilizadas como referência no entendimento dos povos, pois trazem matérias e estudos que venham a favor de uma maior compreensão histórica, portanto tratamos apenas de uma área, de uma matéria e não um segmento religioso, contudo acreditamos que as espiritualidades desses povos possam gerar interesses individuais, mas nunca deveriam desviar do princípio pelo qual foi criado, um movimento de estudo e não um círculo esotérico/ religioso sectario.
Estas manifestações equivocadas tem direcionado seus esforços em tentar depreciar segmentos religiosos, bem como projetos ideológicos pagãos, ou tentam encontrar fama na polêmica anti-ética com críticas e agressões a pessoas e entidades já que não conseguem gerar projetos por estarem limitados em seus dogmas.
Contudo, ainda existem reconstrucionistas que fazem um trabalho benéfico e coeso, pois não fundamentam os seus estudos em religião e sim em matérias academicas deixando que os próprios leitores recebam informações e não induções moldadas a interpretações e criações pessoais.
O Conselho de Bruxaria Tradicional tem uma área dedicada à reconstrução que tem realizado um excelente trabalho em mostrar aos interessados uma linha equilibrada, sincera e humilde, sem distorção de valores, com ética e tem aproximado muitas pessoas pela qualidade de seus trabalhos, projetos e idealismo, fato pelo qual foi convidada e aceita a estar entre outros conselheiros.
Queremos trazer aos peregrinos sinceros e apaixonados pela espiritualidade dos povos antigos o caminho da Bruxaria Tradicional, um caminho pagão, ancestral, mágico baseado no conhecimento popular e campesino, onde existem matérias de reconstrução, contudo  aproximando com o culto familiar, com o folclore, com uma espiritualidade verdadeira, clara e dedicada a um caminho de beleza e entendimento sobre a vida.
A Bruxaria Tradicional, os valores pagãos só podem ser compreendidos em eficácia perante àqueles que seguem por este caminho, somente quem vive e recebe esta visão de mundo pode compartilha-la com maestria, portanto opiniões de "entendidos" devem ser relevadas pelo carater simplório e limitado.

Atenciosamente,
Ricardo DRaco
Conselheiro do CBT (Conselho de Bruxaria Tradicional)
CLÁN - Bruxaria Tradicional Ibero-Celta
"Legalize Já a Bruxaria! - Por um culto desmarginalizado, pela tolerância religiosa, pela oficialização religiosa!"

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Crença da Migração da Alma - Metacomorfose


É considerada entre os espiritualistas em geral uma involução.

O termo é encontrado em Pitágoras e Platão. Acredita-se que Pitágoras aprendeu seu significado com os egípcios, que por sua vez aprenderam com os indianos. A problemática desse raciocínio é a divergência entre as crenças. Platão e os indianos não acreditavam na metempsicose. Utilizavam o termo na ausência de outro como sinônimo de reencarnação. Já os Egípcios, estes sim, acreditavam na metempsicose (como ela é descrita aqui). Dessa maneira, sendo o termo grego, há polêmica quanto ao seu significado.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - A Sua Resposta

Quando nascemos no caminho da Bruxaria Tradicional, quando aceitamos caminhar por esta espiritualidade, recebemos os primeiros conselhos de um orientador, tal como um guia que mostrará algumas placas e cabe a cada um decidir por quais veredas quer conhecer.

Alguns ficam eternamente andando em círculos, falta visão do caminho, param e pensam que afinal o caminho é isso, um movimento eterno circular e uniforme, de tal modo que acreditam  conhecerem todo o caminho, quando na verdade conhecem apenas o trecho repetitivo de suas vidas.

A primeira regra básica nesse caminho é, arrume sua mochila, retire o seu ego pesado, deixe de pensar apenas em como você é isto ou aquilo, esqueça de títulos, de iniciações em outros locais, de paradigmas, de regras, de conhecimentos esotéricos, respire, olhe, e vá em frente, sem se preocupar com o passado, com seu nome e sobrenome, com a marca das suas roupas, foque no essencial.

Bruxaria Tradicional prega a simplicidade, a fluidez. Algumas vezes tenho escutado o termo "caminho sem nome", porém a interpretação é que o caminho é independente das necessidades superficiais, a busca é pela essência, pela vivência, tal como um olhar de uma criança conhecendo um mundo novo, claro, direto, límpido se assim você o for, se assim você compreender.

Somos nada mais que peregrinos, então não se preocupe tanto com suas medalhas e diplomas, no caminho uma gentileza vale muito mais que um currículo, uma companhia muito mais que uma roupa de grife, um sorriso e um olhar muito mais que mil palavras.

Ah sim, aprenda a escutar, quem fala muito não pode contemplar o silêncio, não faça perguntas tolas, antes de perguntar a alguém, pergunte a si mesmo e espere a resposta no tramitar pelo caminho, elas chegam, sempre chegam.

Cordialmente,

terça-feira, 12 de abril de 2011

Crenças Nativas- Povo Sábio - Magia Européia


Fazendo algumas pesquisas, achamos um texto bem interessante sobre práticas mágicas na Europa, segue abaixo o texto.

Cunning Folk seria algo como povo astuto ou hábil, que numa interpretação seria dito como gente sábia, algo muito próxima à base da Bruxaria Tradicional de raiz ou campesina.

O termo direciona a pessoas ligadas a práticas magistas populares entre o século XV até o começo do século XX.

Em Portugal e Espanha são conhecidos como benzedeiras e curandeiros. Temos autores como Willem de Blécourt, Katherine Briggs e Owen Davies têm focado seus estudos nas práticas e crenças populares, divulgadas e aceitas por historiadores e folcloristas.

Na Escandinávia e Suécia eram conhecidos por serem pessoas mais idosas geralmente membros da comunidade, que atuavam com fitoterapias, medicina alternativa, parteiras e utilizavam de magia popular tal conhecemos como simpatias e o uso de rezas e rimas mágicas.

Tal como em 1600 com os julgamentos por bruxaria, hoje ainda encontramos julgamentos e preconceito dessas técnicas, julgadas como superstições ou charlatanismo. Citamos Brita Biörn de Gotland, disse no tribunal que aprendeu a curar os doentes, quando ela passou algum tempo no submundo , e ela foi condenada à prisão de 1722 e 1737. Apensar da punição de "curandeiros" na Suécia só parecia ter o efeito oposto; cada vez mais pessoas buscam desta medicina popular e mágica.

Existem muitos exemplos conhecidos de "curandeiros", muito além de suas fronteiras regionais de atuação, como Ingeborg de Mjärhult em 1700 e Kisamor e Gota-Lena 1800, na Noruega, algumas mulheres como Sæther Mor (1793-1851), Anna Brandfjeld (1810-1905) e Valborg Valland (1821-1903) alcançaram fama nacional.

No século 19 na Noruega tinham pelo menos um curandeiro por região, tal era a credibilidade nas crenças tradicionais nativas, porém os conhecimentos das mesmas entraram em declínio devido a fatores diversos da sociedade, que vão da falta de pessoas interessadas até a globalização e erradicação cultural/ folclórica.

Na Grã-Bretanha o termo "sábio" ou "esperto" é muito utilizado no sul da Inglaterra, como no País de Gales, outros nomes que são usados em língua nativa são "hysbys dyn" (galês) e "Pellars" (Cornualha) alguns etimologistas mencionam a origem em "expellers", referindo-se à prática de banimento de espíritos malignos.

Algumas práticas magistas e encantos nasceram do politeísmo anglo-saxão e continuaram a serem usadas mesmo após o período de cristianização.

A Lei de Bruxaria em 1542, promulgada sob o reinado de Henrique VIII, que visava tanto bruxas e curandeiros, e que previa a pena de morte para crimes como o uso de invocações e conjurações foi revogada em 1547 aproximadamente, sob o reinado do filho de Henry Edward VI e novamente restabelecida sob Elizabeth I. Em 1563, após a devolução do poder aos anglicanos, um projeto de lei foi aprovado pelo parlamento projetado para ilegalizar "Conjurações, Encantos e BruxariaS", mais uma vez sendo destinadas a ambos os supostos feiticeiros e curandeiros, entretanto esta lei não foi tão dura como a sua antecessora, com a pena de morte.

Com o declínio da caça às bruxas no final do século XVII, em parte devido ao Iluminismo, entra uma nova lei em 1736, diferentemente da legislação anterior, esta não aceitava a existência da magia, e tomou a opinião de que nunca houvera qualquer bruxas retratando como práticas fraudulentas expressamente concebidos para enganar os crédulos a fim de ganhar dinheiro com eles.

Já na Itália estas crenças tradicionais variam de região para região, utilizando nomes que incluem praticos (sábios), guaritori (curandeiros), fattucchiere (bruxas), donne che aiutano (mulheres que ajudam) e mago maga, ou maghiardzha (feiticeiros) e Streghe (bruxas).

A crença folclórica italiana sobrevive até hoje, assim relata a socióloga Sabina Magliocco.

Como no resto da Europa, o principal papel destas pessoas é ligada à cura, tanto através do uso de ervas como também da cura espiritual.

Estas antigas crenças continuam a prevalecer dentro do Catolicismo Romano, que é evidente a partir do uso de amuletos e orações que, muitas vezes apelar à ajuda dos santos.

As ferramentas mágicas geralmente incluem cordas ou cordões para amarrar, facas ou tesouras para cortar a doença, e os espelhos e as armas para refletir ou afastar os espíritos malévolos.

Cordialmente
Conselho de Bruxaria Tradicional

segunda-feira, 11 de abril de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - O Mito por Nietzsche

Alguns filósofos, como Nietzsche, valorizaram o mito justamente por lidar, de forma imediata, com esse aspecto da vida humana que é fundamental...

...afinal, o homem não é só racional.

O que o mito diz nunca pode ser demonstrado ou comprovado e, por isso, não pode ser claramente concebido pela razão humana, mas é sempre claro seu significado moral e religioso.

Coloque-se agora ao lado desse homem abstrato, guiado sem mitos, a educação abstrata, os costumes abstratos, o direito abstrato, o Estado abstrato; represente-se o vaguear desregrado, não refreado por nenhum mito nativo, da fantasia artística; imagine-se uma cultura que não possua nenhuma sede originária, fixa e sagrada, senão que esteja condenada a esgotar todas as possibilidades e a nutrir-se pobremente de todas as culturas.


NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. São Paulo: Cia das Letras, 1992, p.135.

Cordialmente,

sexta-feira, 11 de março de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - LÚCIFER e muito mais....


Diante da superficialidade de crença, encontramos diversos textos que "usam" da palavra Bruxaria Tradicional para fazerem referência simploriamente à feitiçaria.

Observamos uma mescla de deuses utilizados como sistemas psicológicos baseados em arquétipos, misturando Exú como Osíris, Ganesha com Tupã e assim por diante, isso pode ser até cabível para outras linhas de feitiçaria, mas não esta ligada ao caminho da Bruxaria Tradicional, com seus deuses europeus, sim, com seu agregado étnico, com seus costumes e folclores.

Alguns distorcem os termos tal como "bruxa tradicional" Circe (termo correto: feiticeira grega), distorcendo mitos e culturas em favor de sua individualidade "contestadora" (focando terceiros, logicamente).

Por fim acreditamos que o Brasil é um país repleto de magistas analfabetos, e que tantos defendem bravamente o nacionalismo como origem de crença tradicional e passam esquecidos quando não honram pela memória que os antecessores de determinados caminhos lutaram para manter seu agregado cultural e de crença, dando um nome e classificando seu sistema mágico/ religioso, e assim, preferem substituir para um nome de crença importada (bruxaria tradicional), quando deveriam utilizar o termo original ou classificar corretamente suas práticas como feitiçaria.

A única coisa que deveriam lembrar antes de sair escrevendo por blogs e sites é o entendimento básico da língua portuguesa, como também o conhecimento antropológico, antes de citar antropologia, primeiro se precisa estudar e refletir o que realmente os autores querem dizer com suas afirmações e quais são as bases de seus estudos.

Muitos feiticeiros estão preocupados com os anjos caídos, com Lúcifer, com Satã, para nós, bruxos tradicionais, não é base para nossos estudos oficiais e não fazem parte de nossas crenças, pode fazer sentido no contexto historico do período medieval, pois toda feitiçaria ou crença diferente do Catolicismo era tida como Bruxaria, mas como explicamos em nossos textos é preciso ser criterioso para analisar a questão dado o local e data.

Outro fato é que muitos dizem ser feiticeiros, alguns "luciferianos", achamos isso perfeito, encontraram sua real crença, para os que ainda não sabem, mas o luciferianismo é uma doutrina derivada do Satanismo.

Entretanto fica a questão, qual a diferença do movimento do luciferianismo com Lúcifer? É que o segundo além de indicar aos cristãos à mesma correspondência que Satan, tem na sua tradução do latim como "portador da luz" que no panteão grego designa uma entidade acompanhante que vai a frente da carruagem de Apolo, a famosa estrela matutina (estrela Vênus) que aparece no céu logo antes do amanhecer, anunciando o Sol ascendente.

 Concordamos com um texto que menciona que utilizar de certas imagens, ou roupagem não o torna um budista, um umbandista, do mesmo jeito, concordamos que também não o torna um bruxo tradicional.

O fato é que enquanto não entendermos o nosso idioma, enquanto faltar base para interpretação de texto, enquanto não estudarmos com propriedade os mitos, a teologia, e adquirirmos um amadurecimento pessoal, não haverá um caminho sólido, para que nossa peregrinação seja verdadeira e coesa.

Para bruxos tradicionais, como para budistas, para satanistas, não existe obrigatoriedade de aprender sobre outras crenças ou religiões, dizemos novamente OBRIGATORIEDADE, o que devemos OBRIGATORIAMENTE, já que somos adeptos de um caminho é aprender o mesmo com total maestria.

Acreditamos também que alguns dados "clãs" deveriam ensinar melhor seus aprendizes, principalmente na arrogância e na demonstração de total falta de discernimento, isso só nos causa estranheza e não reconhecimento coletivo de suas práticas.

Cordialmente,
Conselho de Bruxaria Tradicional

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Bruxaria Tradicional - Consagração da Terra Nativa



Resolvemos escrever este tópico com o intuito de mostrar o funcionamento da Bruxaria Tradicional sem mistificações, sem aplicar uma linguagem esotérica confusa, indo direto na questão.

Dentro das práticas da Bruxaria Tradicional, sendo ela uma representação do agregado cultural e de crença específica européia, dado a migração desses povos para o restante do mundo, teremos o realinhamento do conceito honrar a terra, esse honrar nos é nato, é um respeito à natureza (flora e fauna) como também lugar onde nossos ancestrais viveram.

Com isso teremos nos cultos fora da Europa, um chamado a honrar a terra de origem como também a terra que hoje nos encontramos, e o faremos em culto, mesmo de passagem, esse honrar é um respeito, uma dedicação ao que nos cerca naquele momento, naquele solo.

Bruxaria Tradicional é uma herança européia, não existe Bruxaria Tradicional nascida exclusivamente no Brasil, sem esse link cultural e de crença (origem). Um índio, um negro, um asiático, terá a sua fé baseada geralmente conforme sua origem, mas que também podem se dedicar a Bruxaria Tradicional desde que busquem por esse conhecimento ancestral regional.


Bruxaria Tradicional no Brasil

Aqui teremos um cenário bem próprio, por vários motivos, um deles é o fato do Brasil já ser colonizado por forte influência cristã, desde cruzes de malta dos templários, evangelização indígena, até a santa inquisição e perseguição aos judeus.

Portanto, as fontes que temos no Brasil direcionam sempre o termo “bruxaria” a práticas malévolas e de heresia, como atributo para crença marginalizada, selvagem, anti-cristã, promovendo uma divisão dualista de Bem X Mal ou Luz X Trevas.

Com isso, toda crença, fosse indígena, negra, judaica ou fora dos padrões morais e éticos cristãos seriam tidos como “magia negra” e assim bruxaria.

Esta visão, é uma visão distorcida, tanto que observamos textos falando de Quimbanda como Bruxaria, de “macumba” como bruxaria, e tantas e tantas outras perante os movimentos radicais cristãos ou mesmo pela ignorância de nosso país, não apenas sobre uma determinada classe social, religiosa ou acadêmica.

E qual o motivo de tanta desinformação? Poderíamos citar vários, vamos a eles:

- falta de pesquisas sérias e de campo nas áreas acadêmicas (antropologia, teologia, entre outras);
- Interesse econômico, visto que muitos ganham como os artifícios de medo, e perca de fieis das religiões tidas como “oficiais” e a própria mídia nos filmes de terror;
- Desorganização religiosa, falta de entidades representativas;
- Autores equivocados e parciais escreverem sobre o assunto;
- Falta de conceito que auxiliem na comunicação com propriedade (entendimento objetivo).


Outro grande problema é acreditar que bruxaria é apenas um oficio de feitiçaria, ela é um agregado humano, sendo um agregado humano ela se amplia pela arte, artesanato, pelo trabalho com ervas (medicina alternativa) cantos e evocações (musicalidade e danças), portanto é muito mais que um agregado de práticas mágicas, se assim não o fosse poderíamos apenas citar o rótulo de feiticeiros/ magistas.

Uma outra questão, será que todo mundo era bruxo antes do cristianismo? Será que este agregado folclórico e espiritual era comum ou apenas determinadas pessoas/ famílias, dentro das aldeias tinham um oficio próprio?

Outra questão, esta espiritualidade era exteriorizada para toda aldeia, ou era algo mais enraizado e específico dentro de uma comunidade?

O que podemos dizer é que quando falamos de espiritualidade pagã européia, ela possui variações conforme região, povo, estrutura social, ou seja, “n” variantes. É como uma indagação que me fizeram, acredita que alguém da Romuva (Crença Tradicional da Lituânia) se proclamaria Bruxo Tradicional?

- Diria que primeiramente como alguém dedicado a Romuva (e se ele realmente se dedicasse a espiritualidade contida na palavra) depois de apresentado o conceito Bruxo Tradicional, pelo qual acreditamos, acreditamos que sim, pois estaria de acordo com os esforços que pregam com preservação, reconstrução, respeito, paganismo, entre tantos valores que são importantes para Bruxos Tradicionais.

E se colocassem como um conjunto de feitiçaria nas artes do diabo? Provavelmente, tanto o sujeito da Romuva, como muitos Bruxos recusariam o termo, pois o significado impregnado na palavra iria contra a essência da crença.


Bruxaria Tradicional e Espíritos da Terra

Falando ainda em Brasil, uma terra rica em folclore, para nós é fluídico o respeito pelas entidades nativas, porém não se justifica dizer que Bruxaria incorpora Orixás, Exus ou Pomba-Giras como base original de culto, pois entendemos que prática religiosa é diferente de feitiçaria, o fato de um bruxo estudar outros sistemas mágicos não indica que estes sistemas façam parte da Bruxaria.

Existe uma conduta muito direta na Bruxaria Tradicional e muito embora nossos textos tragam conhecimento, sabemos que eles trazem também questionamentos que dada à limitação da escrita, não geram a clareza pela qual prezamos.

Esperamos com isso, que nos cheguem questionamentos com novos pontos de vista e assim conquistarmos mais e mais informações aos nossos leitores.

Autor: Ricardo DRaco

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Busca pelo Poder Animal na Bruxaria Tradicional

"Na busca do Poder Animal o qual irá lhe ajudar em sua jornada entre os mundos."

É comum encontrarmos pessoas interessadas na busca pelo seu animal guardião,  a maioria é iludida em workshops de um dia ou uma vivência de final de semana, onde encontram o animal que já queriam ter, geralmente encontram águias, grandes felinos, lobos, mas nunca insetos, passarinhos entre 
outros menos apresentáveis e que não geram o status de poder.


  Depois que "recebem" guardam em suas mochilas místicas, junto com signo, ascendente, orixá, deus de afinidade, entre muitos outros atributos que favorecem apenas a superficialidade da caminhada.

Existe técnica (fast-food) para encontrar seu animal de poder? Resposta é obvia, não! Não existe, o que existe é um trabalho intenso de conhecer a si próprio, entender a sua essência, a sua aparência, os seus gostos, habitats, resposta a ações, suas fragilidades, seus potenciais, e somente convicto de ser quem realmente você é, encontrará seu animal guardião, e através dele um propósito que se baseia em diversos objetivos, desde cura pessoal até projeção astral. 

Dentro dos diversos segmentos da Bruxaria Tradicional encontramos uma diversidade de cultos, porém escrevo específicamente sobre Bruxaria Tradicional Ibero-Celta.

Fundamento, é que não existem animais que não sejam da   região da linha mágica, ou seja, animais europeus e do lugar cultuado, em nosso caso, no Brasil. Portanto, não encontraremos elefantes (origem africana).





Animais Guardiões  
Em poucas palavras, é sua essência física,
 é como se age em situações rápidas  
instintivas, porte físico, habilidades, clima e 
local que se sente mais a vontade.

Animais Auxiliares  
São aqueles que nos ajudam em determinado momento de nossa vida, nos emprestam a força, 
a agilidade, a temperança, a sensibilidade, e geralmente favorecem um bruxo em uma determinada questão.
Animais de Poder  
Um canal direto para a sabedoria em outros planos, são mais etéreos em suas aplicações, mais sutis, e são unicamente encontrados em iniciações ou traumas profundos, tal como voltar de um coma.
Animais Totem
 Estes expressam uma coletividade, tal como uma representação de brasão de uma cidade, nome de uma tribo, de um povo, e existem em diversas culturas ancestrais no mundo. 
(veja mais sobre este tópico)

Encontramos também dentro da mitologia o apanhado de contos (cheios  de sabedoria para quem consegue ver além das palavras). Podemos citar a transformação animal, isto de acordo com a vontade pessoal ou através de uma punição. 

Há muitas estórias tradicionais relatam a transmutação em animais a fim de que possam aprender uma valiosa lição.

Cada estória nos mostra além da busca pela sabedoria, a intervenção de um protetor ou guardião do local, um deus, um ser do outro mundo pelo qual é encaminhado o peregrino diante de um portal ou nova visão. 
 
  Também podemos encontrar animais sagrados fazendo menções diretas a deuses tal como o cavalo para Epona, o corvo para Lugo, o gamo para Taliesin.

As técnicas de êxtase como ferramenta de busca de sabedoria, não visam uma causa superficial do próprio ego. A jornada, seja através do montar de um cervo branco, ou através do som do black bird é um principio que nos leva a crer que existe muito mais do que nossos caprichos pessoais. 


Autor: Ricardo DRaco
Conselho de Bruxaria Tradicional
Bruxaria Tradicional Ibero-Celta