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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - Entendendo a Witchcraft

A proposta deste artigo faz parte da análise do estudo de crenças dentro do que se convencionou como tradição com o mesmo significado de ordem iniciática e como estas manifestações são colocadas nos países da Europa e no Mundo.

Para muitos de nós que lemos e estudamos sobre práticas mágicas, ordens iniciáticas, vertentes e tantas pluralidades no mundo ocultista devemos entender alguns fundamentos que podem nos dar um Norte para a compreensão da diversidade na Magia.

Assistindo uma palestra da Federação Pagã Internacional, onde o tópico foi à questão da religiosidade da Wicca e os outros movimento ao qual os ingleses chamam de Witchcraft, para a América e mais propriamente para a Grã Bretanha, a palavra Witchcraft (Arte Bruxa) é qualquer crença e prática que trabalhe com o mágico, com a feitiçaria e isto independe da religiosidade, é algo como se as nossas cartomantes, se elas morassem na Inglaterra, seriam chamadas de bruxas e esse ecletismo tão comum ao povo inglês que chamamos de esoterismo e o qual o termo "Tradição"implica diretamente, por mais que tenhamos um culto eclético, em irmandade.

Portanto o termo "Traditional Witchcraft" significa Ordem Iniciática de bruxariaS/ feitiçaria, ou seja, um agregado de práticas, um agregado sem nome, e nem poderia devido à diversidade de crenças, onde astrologia, tarô, culto a santos, culto de magia negra, benzedeira e leitores de bíblia que benzem, tudo e todos são bruxos sem critério algum, um zelador de santo é um witchcraft e se ele estiver ligado a uma ordem iniciática ele será chamado de Traditional Witchcraft (?).

Esta visão interpretativa difere em muito do que temos por bruxos, com propriedade somos seletivos nas definições das crenças, seguimos uma visão especialista até mesmo para observarmos nossos iguais, um exemplo é falar de Wicca Cristã, tenho certeza que muitos irão contra essa visão, pois como sabemos a Wicca nascida de Gerald Gardner é neo-pagã e rejeita os dogmas cristãos, mas por mais que desagrade a alguns ou a maioria, ela existe, tal como muitos bruxos que são tradicionais (pagãos conservadores) que buscam retirar todo o ranço cristão de suas crenças salta aos olhos quando vê outro "bruxo" que se diz cristão ou demonologista, pois para a grande maioria de nós, tradição não implica diretamente em Ordem Iniciática.



O que temos apresentado principalmente sobre a filosofia de Tubal Caim ou Cultus Sabatti é um modo em que essas correntes, ordens iniciáticas feiticeiras, tem como base de culto; o fato de não as reconhecermos como próximas as nossas práticas e idealismos,  principalmente nas manifestações cristãs/ anti-cristãs ou ecletismos, não as desmerecem em quanto instituições.


Tenho visto muitos artigos colocando algumas crenças/ sendas com simbolismos ligados à demonologia, o que precisamos analisar que muitas dessas crenças quando observadas de forma seletiva não seriam chamadas se quer de Bruxaria, e que muitos dos elementos ligados ao Diabo e aos demônios, mesmo que estes pudessem ser uma  distorção das divindades pagãs, ainda assim são expressões mais recentes influenciadas pelo Catolicismo e depois pelo protestantismo, estas criações populares, encontraremos em muitos lugares na Europa tal como encontramos em filmes da Disney, agora até que ponto poderíamos dizer que estas manifestações de prática e religiosidade são Bruxaria? Pelo olhar britânico, mais eclético, todas seriam witchcraft, e traduzo para que possamos entender como feitiçaria.

A língua inglesa tem um vocabulário muito compacto, ao traduzirmos "Traditional Witchcraft" isso nos dará o rótulo Arte Bruxa Tradicional, ou seja, Bruxaria Tradicional (?) confuso? Muito! Por isso a  visão do CBT primeiramente respeita a definição do que é ser bruxo, e para nós esta além da prática de feitiçaria da "Witchcraft" da língua inglesa, pois para nós ser um bruxo é uma questão de conduta, de linha de pensamento, de uma religiosidade, e que elimina por completo qualquer ligação com outras religiões, inclusive do Catolicismo.

Portanto Bruxaria Tradicional para nós é mais que fazer parte de uma irmandade é realmente ter um foco no trabalho de conservação, de manter as crenças pagãs livres de influências tardias, é focar na sua ancestralidade, nos seus costumes, na terra, ou seja, saber onde é sua casa, por mais curiosos que possamos ser em conhecer outras culturas, práticas e crenças.


Agora vejam como os conceitos podem dar um nó em nossas mentes, imaginem que a própria Bruxaria Tradicional que cultuamos (tradições da Bruxaria) na linha do CBT poderia ser mais uma das diversas vertentes que os britânicos chamam de Witchcraft!

Por estas questões temos que nos atentar às traduções e mais do que isso ao entendimento além dos rótulos, no entendimento específico das crenças e práticas.




Com isso caro leitor tenha o poder de interpretação além do literal, temos visto "estudiosos" se atropelando, dando a ideia que Bruxaria Tradicional é simploriamente tradução dos termos ingleses, generalizando e até sendo bem resistentes ao entendimento regionais teológicos e antropológicos destas questões e por conta disto nunca conseguirão se colocar de uma maneira que seus artigos tragam entendimento e aceitação.




Abraços Fraternos,

Ricardo DRaco
CLÁN - Bruxaria Tradicional Ibero-Celta

terça-feira, 12 de abril de 2011

Crenças Nativas- Povo Sábio - Magia Européia


Fazendo algumas pesquisas, achamos um texto bem interessante sobre práticas mágicas na Europa, segue abaixo o texto.

Cunning Folk seria algo como povo astuto ou hábil, que numa interpretação seria dito como gente sábia, algo muito próxima à base da Bruxaria Tradicional de raiz ou campesina.

O termo direciona a pessoas ligadas a práticas magistas populares entre o século XV até o começo do século XX.

Em Portugal e Espanha são conhecidos como benzedeiras e curandeiros. Temos autores como Willem de Blécourt, Katherine Briggs e Owen Davies têm focado seus estudos nas práticas e crenças populares, divulgadas e aceitas por historiadores e folcloristas.

Na Escandinávia e Suécia eram conhecidos por serem pessoas mais idosas geralmente membros da comunidade, que atuavam com fitoterapias, medicina alternativa, parteiras e utilizavam de magia popular tal conhecemos como simpatias e o uso de rezas e rimas mágicas.

Tal como em 1600 com os julgamentos por bruxaria, hoje ainda encontramos julgamentos e preconceito dessas técnicas, julgadas como superstições ou charlatanismo. Citamos Brita Biörn de Gotland, disse no tribunal que aprendeu a curar os doentes, quando ela passou algum tempo no submundo , e ela foi condenada à prisão de 1722 e 1737. Apensar da punição de "curandeiros" na Suécia só parecia ter o efeito oposto; cada vez mais pessoas buscam desta medicina popular e mágica.

Existem muitos exemplos conhecidos de "curandeiros", muito além de suas fronteiras regionais de atuação, como Ingeborg de Mjärhult em 1700 e Kisamor e Gota-Lena 1800, na Noruega, algumas mulheres como Sæther Mor (1793-1851), Anna Brandfjeld (1810-1905) e Valborg Valland (1821-1903) alcançaram fama nacional.

No século 19 na Noruega tinham pelo menos um curandeiro por região, tal era a credibilidade nas crenças tradicionais nativas, porém os conhecimentos das mesmas entraram em declínio devido a fatores diversos da sociedade, que vão da falta de pessoas interessadas até a globalização e erradicação cultural/ folclórica.

Na Grã-Bretanha o termo "sábio" ou "esperto" é muito utilizado no sul da Inglaterra, como no País de Gales, outros nomes que são usados em língua nativa são "hysbys dyn" (galês) e "Pellars" (Cornualha) alguns etimologistas mencionam a origem em "expellers", referindo-se à prática de banimento de espíritos malignos.

Algumas práticas magistas e encantos nasceram do politeísmo anglo-saxão e continuaram a serem usadas mesmo após o período de cristianização.

A Lei de Bruxaria em 1542, promulgada sob o reinado de Henrique VIII, que visava tanto bruxas e curandeiros, e que previa a pena de morte para crimes como o uso de invocações e conjurações foi revogada em 1547 aproximadamente, sob o reinado do filho de Henry Edward VI e novamente restabelecida sob Elizabeth I. Em 1563, após a devolução do poder aos anglicanos, um projeto de lei foi aprovado pelo parlamento projetado para ilegalizar "Conjurações, Encantos e BruxariaS", mais uma vez sendo destinadas a ambos os supostos feiticeiros e curandeiros, entretanto esta lei não foi tão dura como a sua antecessora, com a pena de morte.

Com o declínio da caça às bruxas no final do século XVII, em parte devido ao Iluminismo, entra uma nova lei em 1736, diferentemente da legislação anterior, esta não aceitava a existência da magia, e tomou a opinião de que nunca houvera qualquer bruxas retratando como práticas fraudulentas expressamente concebidos para enganar os crédulos a fim de ganhar dinheiro com eles.

Já na Itália estas crenças tradicionais variam de região para região, utilizando nomes que incluem praticos (sábios), guaritori (curandeiros), fattucchiere (bruxas), donne che aiutano (mulheres que ajudam) e mago maga, ou maghiardzha (feiticeiros) e Streghe (bruxas).

A crença folclórica italiana sobrevive até hoje, assim relata a socióloga Sabina Magliocco.

Como no resto da Europa, o principal papel destas pessoas é ligada à cura, tanto através do uso de ervas como também da cura espiritual.

Estas antigas crenças continuam a prevalecer dentro do Catolicismo Romano, que é evidente a partir do uso de amuletos e orações que, muitas vezes apelar à ajuda dos santos.

As ferramentas mágicas geralmente incluem cordas ou cordões para amarrar, facas ou tesouras para cortar a doença, e os espelhos e as armas para refletir ou afastar os espíritos malévolos.

Cordialmente
Conselho de Bruxaria Tradicional

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SIGNIFICADO DAS PALAVRAS - Bruxo, Mago, Feiticeiro




Quais são as fontes para pesquisa? A primeira poderia vir do Latim.
O latim é uma antiga língua indo-européia do ramo itálico originalmente falada no Lácio, à região do entorno de Roma. Foi amplamente difundida, especialmente na Europa, como a língua oficial da República Romana, do Império Romano e, após a conversão deste último ao cristianismo, da Igreja Católica.

Outra hipótese é a busca fora do latim, em outras línguas, como os primeiros escritos citando a forma etimológica da palavra.

Não dá para se basear no dicionário Michaelis ou Aurélio, visto que algumas palavras sofreram distorção no tramitar do tempo.

Um exemplo disso é a palavra Bruxaria, que é anterior ao período romano na Ibéria, ou seja, a palavra bruxa, bruja como outras foram indexadas ao latim naquelas regiões e chegaram até as línguas portuguesa e espanhola.

Portanto o termo bruxo tem um significado bem diferente constituído pela Igreja Católica, na idade medieval esta sobre a influência cristã, onde qualquer religião, qualquer seita, qualquer espiritualidade era tida como influência diabólica, portanto uma marginalização em massa, se pensarmos assim, teremos o judaísmo como bruxaria, teremos o luteranismo (movimento protestante) como bruxaria, temos um monte de outras crenças alternativas, inclusive o movimento anti-cristão (satanismo).

Não concordamos com o termo bruxaria nesta fase histórica completamente obscura, tanto socialmente como religiosamente falando, pois o diabo nem entra em nossas crenças, esta visão distorcida cabe para quem estuda e pratica magia do período medieval e moderno e nem pode ser considerada como Bruxaria (termo para senda) e sim como um agregado de crenças e feitiçarias subjugadas pela Igreja Católica "bruxarias" - feitiçaria maléfica e marginalizada.

Então o grande problema, que a língua portuguesa traz, por ser uma das mais complexas línguas do mundo, é essa dubialidade, essas "corruptelas" da palavra e do sentido que tornam nossa comunicação tão confusa, promovendo guerrinhas tolas e sem sentido.

Hoje vejo até gente da Umbanda falando que faz "bruxarias" com o significado de feitiçaria obscura, que o Exu dela faz "bruxarias". Para quem busca por raiz sabe que isso em nada tem haver com Bruxaria em essência.

Sobre a palavra "mago"
 Mago: “1. Antigo sacerdote zoroástrico, origem  persa. 2 Astrólogo; adivinho; 3) Homem que pratica magia; 4) Cada um dos três reis que foram a Belém adorar o menino Jesus; 5) significado de maestria”;

Aqui já vi até variação de palavras provém da Língua Persa, magus ou magi, que significa sábio. Da palavra "magi" também surgiram outras tais como "magister", "magista", "magistério", "magistral", "magno", etc.

Mas de forma algum vem do latim "Maleficus" que derivado Maléfico.

Outra fonte:
É comum atribuir a vasta região da Mesopotâmia como a origem dos magos, porque as suas atividades têm muito a ver com a astrologia. A magia praticada pelos magos proliferou a partir do período de domínio persa (537-330 anos antes de Cristo). Os judeus que estiveram exilados naquela região (597-539 a.C.) receberam essa influência, e, ao retornarem, certamente trouxeram a prática da magia e adivinhação para Israel. O livro Atos dos Apóstolos registra a conversão de muitos magos (At 13,6-8; 19,13-19).

É significativo mencionar que o evangelista Mateus registrou a presença de reis magos no evento do nascimento de Jesus, na cidade de Belém. O Evangelho de Mateus não menciona a quantidade, mas a tradição cristã afirma serem três "reis magos", supondo que cada um trazia uma espécie de presente: ouro, incenso e mirra (Mt 2,1-12). Ao mencionar a presença dos reis magos, no nascimento de Jesus, o evangelista queria afirmar a universalidade da mensagem pregada por Jesus Cristo. A manifestação do interesse dos magos do Oriente pelo nascimento de Jesus é completada pelo registro da conversão de pessoas vindas de todos os cantos da terra.

Agora sobre o termo feiticeiro:
1. Aquele que faz feitiço

Quem faz feitiço?
Bruxos, Magos, Umbandistas, Candomblecistas, Catimbozeiros, etc... 

O que são feitiços - Emprego sortilégio, encantamento, procedimento mágicos.
O objetivo é interferir no estado mental, astral, físico e/ou na percepção que outra pessoa tem da realidade. Um feitiço pode ser benéfico, inofensivo ou maligno, no último caso, um exemplo é uma Maldição. Um feitiço pode ser feito através de rituais, utilizando-se de amuletos, palavras mágicas, poções, etc.

Abraços Fraternos,
Ricardo DRaco