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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A Manticora - O Ser devorador de Homens






Hoje falaremos de figuras que assustaram algumas culturas e o fato de vê-las se deu pela minha curiosidade em saber no mundo das artes se haveria algum desenhista que pudesse retratar o meu signo (leão) com meu ascendente (escorpião), achei interessante, pois fui parar em uma figura mitológica chamada Manticora, um ser meio leão, meio escorpião com rosto humano. Fascinante! Segue alguns trechos que fui captando sobre o assunto.
Mais sobre o artigo CLIQUE AQUI!





terça-feira, 12 de junho de 2012

BRUXARIA TRADICIONAL: O Deus Morto

O Deus Morto


O deus morto é uma variação do mito de criação colocado acima. De acordo com Mircea Eliade, há muitas histórias de diferentes culturas, que coloca um ser divino sendo sacrificado para dar meios de vida à humanidade; geralmente, diferentes tipos de plantas crescem de seu corpo para ser usado como comida.

Na Segunda Batalha de Maige Tuired, há uma adaptação irlandesa desse motivo.

Dian Cecht, o médico dos Tuatha De Danann, mata e enterra seu filho, Miach, devido a inveja de seus poderes superiores de cura. Da tumba de Miach, crescem trezentos e sessenta e cinco ervas, que sua irmã, Airmid, recolhe e espalha em seu manto de acordo com suas propriedades. No entanto, Dian Cecht, com sua inveja aparentemente inabalável, mistura todas elas de forma que ninguém as conheceria.

Nessa versão do mito, as plantas curativas são mais que.... Acesse o Artigo na CLÁN Dragones
http://clan-dos-dragones.blogspot.com.br/2012/06/bruxaria-tradicional-o-deus-morto.html







Cordialmente
CBT - Conselho de Bruxaria Tradicional no Brasil





quarta-feira, 5 de outubro de 2011

BRUXARIA TRADICIONAL - Ao Deus Heroi Volund - Achado Acadêmico

Nova imagem de Volund é descoberta na Suécia

Um intrigante objeto foi encontrado nas escavações de Uppåkra, Scania (Suécia) em um sítio datado próximo ao ano mil. Trata-se de uma figura representando um homem portando ou vestindo um traje com asas. Alguns especialistas estão considerando o mesmo uma representação de Volundr, após fugir de seu cativeiro. A figura é muito semelhante com a figuração de Odin na estela gotlandesa de Hammar III (nos detalhes da cauda e formato da asa sobrepondo-se aos pés), mas difere no formato da cabeça – no objeto encontrado em Uppåkra, a cabeça tem formato antrópico, enquanto que em Hammar III é de uma águia. Em Ardre VIII, ao lado da forja e de dois descabeçados, também aparece uma escultura muito semelhante, mas sem cabeça. As imagens tradicionais de Volund-Wieland, tanto entre os germanos continentais quanto na Escandinávia da Era Viking, o retratavam somente de forma humana, associado aos instrumentos de forja.

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As tradições nórdicas se referem a uma religião pré-cristã, crenças e lendas dos povos escandinavos, incluindo aqueles que se estabeleceram na Islândia, onde a maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica foram construídas. Esta é a versão mais bem conhecida da mitologia comum germânica antiga.
 

Sobre o Deus Ferreiro Volund 

Locais como a Ferraria de Wayland em Oxfordshire, nome dado em homenagem a Volund, o herói/deus/ferreiro, não são mais meras curiosidades. Estão começando a ser utilizados como pontos de encontro para pessoas cada vez mais em contato com os antigos costumes e divindades.

Em seu mito ele teria passado parte de sua vida prisioneiro em uma ilha distante, onde prestava serviços como ferreiro e fabricante de armas, até conseguir fugir dali usando asas articiais.

 Cordialmente,
Conselho de Bruxaria Tradicional

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Folclóre - O Cavalo e a Morte


O cavalo e a morte

Essas relação entre a morte e o cavalo sobrenatural aparece nas tradições galegas. Assim nas zonas de Meixoeiro e Elviña falava-se de um cavalo branco pelas noites saía das águas do rio e dirigia-se a aldeia,  sobre o seu lombo aparecia um caixão que depois deixava na porta da casa de algum dos vizinhos, aquilo era percebido como o sinal de entrada de morte iminente na família.

Numa lenda proveniente de terras Luguesas um cavalo misterioso entra numa casa justo quando o pai esta agonizando de uma doença. O cavalo vai batendo com as patas no chão, onde ele batia brotavam pequenas fontes de água, depois subiu ao andar superior da casa e ficou olhando para o doente que logo deu seu último suspiro e morreu. Também se contava de outros animais mostruosos europeus como os cavalos sem cabeça do folclore basco, ou os cavalos de três pés da tradição oral dinamarquesa, que eram além disso anúncios morte, neste último país dizia-se que a morte montava um cavalo o que convidava a subir aos finados. No noroeste peninsular a cavalo era uma das formas que diariamente tomavam os elementais quando se queriam aparecer para os vivos.

É curiososo que em algumas regiões da Galiza a extremidade unção se chamasse "ponher a espora", como se o doente se dispusesse a fazer uma longa cavalgada. O tema pode ser muito antigo entre nós porque em épocas medievais num dos relevos do túmulo do cavaleiro Egas Moniz, encontramos uma cena em que três personagens aparecem montando num cavalo extraordinariamente longo enquanto que, suspeitamente, em outra cena anterior, parece-me descansar pracidamente, talvez para desde ja, num mesmo leito.

Significativamente um texto irlandês recitam um cavalo que como a montagem de Mannanan Mac Lyr, o deus do mar, com ele cavalga por desabamento das ondas do mar recolhendo aos naufragos (afogados) para levá-los a entrada de uma misteriosa ilha, fato comum na mitologia céltica.
 
Esta recorrente associação entre os diferentes cavalinhos da água dos foclores célticos e germânicos atuais e a morte tem-se explicado pela importância que este animal teve na mitologia dêsses povos como condutor de das almas para o outro mundo. Isso estaria refletido mesmo na conhecida diadema aurea de Rivadeo, obra mestre do ourivesaria dos antigos galaicos, que nos mostra a um grupo de homens a cavalo em curiosa peregrinagem, talvez a um alem indeterminado por um caminho aquático entre peixes, tartarugas e aves variadas.

Tradições como estas são um bom exemplo de como a nossa cultura popular pode prolongar-se do ancestral passado até o nosso cotidiano. Assim pois, lembrar-me bem, se a proxima vez que voltar para casa tarde da noite, se encontram um estranho cavalo branco que se lhes oferece suspeitamente para dar uma curta carreira da sua residência particular, pense duas vêzes! Talvez fora melhor pegar um táxi.

Fonte: http://archeoethnologica.blogspot.com/2010/06/cabalos-do-alem.html

Cordialmente,
Conselho de Bruxaria Tradicional no Brasil

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os Sacerdotes Celtas pt.4: O declínio

O conhecimento de César sobre os Druidas não se deve somente ao intercâmbio que teve com os povos, mas também ao apoio da própria classe, como demonstra H. D'arbois de Jubainville [... Júlio César, durante a guerra das Gálias, gozou do apoio do druida Deuiciacos, do qual ele gaba o zelo pelos interesses do povo romano, a boa vontade em vista do próprio conquistador. Com efeito, Deuiciacos queria sinceramente a aliança dos Aedui (Eduanos), seus compatriotas, com os Romanos. Júlio César não diz que Deuiciacos fosse Druida. Nós o sabemos por Cícero que conheceu em Roma o Eduano Deuiciacos, enviado em embaixada ao Senado por seus concidadãos...]. Apoio que foi fundamental na conquista da Gália pelos Romanos.

Entretanto, é sabido que a manutenção da classe, pelo poder que possuíam, não era interessante aos romanos... Inicia-se a oposição (que antes não passava de especulação e política de desmoralização a fim de ganhar apoio público e criar instabilidade entre os celtas) através de decretos imperiais: primeiro o de Augusto (63 a.C./14 d.C.) que os excluiu da cidadania romana, depois o decreto senatorial do tempo de Tibério que proibiu a sua existência, e finalmente o de Cláudio (54 d.C.) que aboliu por completo os Druidas, tornando sua crença ilegal. Apesar da promulgação de três decretos sucessivos é curioso que após três séculos ainda se falaria dos Druidas como classe importante e respeitável.


O Druidismo possuía força em outras regiões ocupadas pelos povos celtas. O Império Romano não deu trégua aos adeptos e sacerdotes, acusando-os de praticarem uma religião nefasta, alegaram terem estimulado em larga profusão o sacrifício humano e o canibalismo. Foi o Imperador Cláudio (10 d.C./54 d.C.) que levantou a caçada contra os Druidas que desde Augusto eram perseguidos. Próximo a 43 d.C., o Imperador Cláudio já havia exterminado o que seria o druidismo e conquistado a Bretanha, criando então a província romana da Bretanha. Publius Cornelius Tacitus (55 d.C./120 d.C.) narra a caçada aos Druidas na ilha de Mona (atual Anglesey no País de Gales) um de seus últimos refúgios, quando Roma junto ao governador da província Suetônio Paulino ordena a derrubada e a queimada dos bosques de carvalho e casas. Os altares foram jogados ao chão e os sacerdotes Druidas assassinados. Os romanos avançaram por seus domínios caçando os Druidas e seus adeptos até dizimá-los nesta região. Este seria um dos muitos motivos pelo qual se deu a famosa Revolta Boudica.

O druidismo viria a sobreviver ainda na cultura dos pictos e escoceses até a chegada de São Columbo e São Patrício, portadores do cristianismo apostólico romano, grande estimulador do combate às crenças tidas como “hereges”. Em largos passos foram proibidas as festividades e os cultos às deidades pagãs. A festividade que o cristianismo não conseguiu extinguir transformou em datas sagradas cristãs ou absorveu modificando naquilo que lhe interessava buscando o “sincretismo”. Exemplos clássicos são a canonização da deusa gaélica Brigit (Santa Brígida), a criação do natal, finados, páscoa, entre outras. É passível considerar ainda que o cristianismo foi aos poucos arrebatando adeptos de forma voluntária e pacífica, motivo pelo qual teve crescimento tão massivo sobre o druidismo, uma prova clássica é o Livro de Kells "Book of Kells", uma versão das escrituras cristãs (ao todo 4 evangelhos do novo testamento) elaborada por monges celtas por volta de 800 d.C. totalmente grafado e ilustrado através da arte Celta.


Da esquerda para a direita as representações de João Evangelista, o Nascimento e o Cristo Jesus
(Book of Kells. Dublin, Trinity College Library, MS A. I. [58])

Estes são os fatos históricos ligados à caçada ao druidismo perpetrada pelos romanos, entretanto, devemos considerar que possivelmente (como comentamos anteriormente) o druidismo estivera inserido como religião no contexto de povos celtas que ocuparam regiões da Europa não somente ligadas à metade oriental. Pode portanto, ter sobrevivido em segredo no átrio da sociedade Celta mesmo que carregado de singularidades regionais. Cabe lembrar que os Druidas eram exímios na absorção de seus ensinamentos e na tradição da transmissão oral.

Durante os últimos séculos o druidismo permaneceu esquecido e recolhido ao passado. A idade moderna marca seu renascimento como uma religião onde os adeptos buscam resgatar e restaurar as crenças, mitos e ritos antigamente guardados pelos Druidas. Em 2010 o druidismo foi reconhecido no Reino Unido como uma religião oficial tão importante quanto o Cristianismo e o Islã.

Índice dos artigos:


Fontes e Bibliografia:
Funcación Icaros: http://www.fundacion-icaros.org/;
The Druid Network: http://druidnetwork.org/;
Templo de Avalon: http://www.templodeavalon.com/modules/articles/article.php?id=85;
Os Druidas, Prof. Dr. João Lupi. Departamento de Filosofia/ UFSC, Brathair 4 (1), 2004: 70-79, ISSN 1519-9053;
Os Druidas: Os deuses celtas com forma de animais, H. D'arbois de Jubainville, 1ª ed. Madras Editora Ltda, 2003. ISBN 85-7374-674-2;

Cordialmente
Conselho de Bruxaria Tradicional
http://www.bruxariatradicional.com.br/

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os Sacerdotes Celtas pt.3: Magia e a religião

Que papel ocupava a magia neste sacerdócio? Sabemos que os Druidas dominavam a magia, os textos da mitologia nos falam em diversas ocasiões sobre suas incríveis demonstrações de poder. Le Roux e Guyonvarc’s falam com certa autoridade sobre as técnicas e rituais mágicos dos Druidas, como lhe davam, por exemplo, com os rituais funerários e algo que foi interpretado como uma espécie de batismo. Este último muito mais interessante do que parece ocorria muito tempo após o nascimento. Quando alguém nascia, recebia um nome provisório, até que fosse autor de uma façanha, que a partir de então lhe daria um nome que tivesse ligação com o feito. Sem dúvida, quase todos os guerreiros e alguns dos Druidas buscavam por grandes façanhas, já que o povo Celta considerava esta tradição como algo mágico, pois, assim como diz Powell [... Os celtas acreditavam em poderes mágicos que invadiam todos os aspectos de sua vida e seu ambiente. O que lhes interessava acima de tudo, portanto, era conjurar estes poderes mágicos para fins benéficos. Isto se conseguia por meio de rituais, sacrifícios e através da recitação de mitos: aquelas lendas sagradas que segundo acreditavam, traziam as divindades do passado e da memória a fim de satisfazer as necessidades dos mortais...].

Outro ardil dos Druidas era o fato de os celtas acreditarem que eles tinham poder sobre os elementos naturais. A crença nestes poderes se reflete nos textos irlandeses medievais principalmente. Do mesmo modo, o nevoeiro invocado pelos Druidas foi considerado um dos símbolos de seu poder. Considerado como um estado intermediário entre o ar e a água e se empregava comumente segundo as tradições, tanto por seres do Outro Mundo como pelos próprios Druidas para paralisar e impedir os movimentos dos homens. El feth fiada, ou o dom divino da invisibilidade somente era permitido aos seres do Outro Mundo, aos Druidas e a algum outro ser privilegiado. Detinham o saber ainda sobre toda a magia que habitava na própria natureza, fazendo o uso de diversas seivas, ervas e seus extratos em rituais mágicos, conforme expôs Plínio [... a magia vegetal foi evidentemente, muito importante para os celtas...]. Os textos irlandeses e seus mitos nos contam ampla e repetidamente sobre estes poderes que se obteriam através de poções, bebidas, misturas vegetais e através da própria natureza.

Os Druidas sabiam como pedir ajuda aos deuses, como invocá-los e de como usar a magia que os rodeava, igualmente conheciam o mistério da natureza cíclica de todos os seres e coisas do mundo. Isto os fazia respeitados por seus concidadãos. Um exemplo do crédito que possuíam era o fato deles não terem obrigação de pagar qualquer imposto ou prestar serviços militares, benefício que se entendia inclusive aos seus pupilos. Era uma espécie de influência e sabiam como tirar proveito disso tudo como sempre fizeram os sacerdotes da maior parte das religiões do mundo.

E o que seria esta tal ciclicidade de tudo que existe? Trata-se de uma regra básica que realmente regeu toda a cosmo visão Celta. Um conceito religioso-espiritual, um exemplo deste conceito nos foi mostrado mais uma vez por César, que nos disse que [... os Druidas esmeram-se em persuadir a imortalidade das almas e sua transmigração de um corpo ao outro, cuja crença pode ser considerada como um grande incentivo, dando valor aos sacrifícios e colocando de lado o medo e a morte...]. Esta noção da imortalidade da alma ou metempsicosis, ao contrário do que acreditavam certos autores clássicos ao dizer que sua origem estava entre os padres da filosofia grega, é certo que se levantou como uma crença puramente Celta. Possuíam uma doutrina completa sobre imortalidade, com moral, visão geral do mundo, mitologia, ritual e ritos funerários apropriados. Ensinavam que a morte nada mais era do que uma mudança para o Outro Mundo, onde a alma residiria em reserva para quando este mundo necessitasse de uma nova alma para uma nova vida. [... mas por outro lado, parece que a capital das almas não se limita aos seres humanos, e a transmigração das almas pode se dar de uma espécie para a outra...]. Agora, não devemos confundir a metempsicosis com a reencarnação na cosmo visão Celta. Seu conceito era algo mais parecido com a imortalidade da alma, mas externo à pessoa: a alma é o que é, não estando no corpo de determinada pessoa, mas sim pela sua essência. Esta crença permitia ao povo Celta, como diz Estrabão, ser aguerrido à loucura da batalha.

Seleção de artefatos escavados
(Castro de Santa Tegra - Oppida region.)
No campo das artes, este conceito religioso pode ser visto na sua representação mais interessante chamada de triskele, triskelo, triskle ou triquetra... Que tem a forma genérica de uma espécie de hélice arqueada de três braços. Alguns autores associam esta figura ornamental, que era um símbolo druidico por excelência, com a triplicidade de algumas divindades celtas, enquanto outros não se atrevem a opinar e o deixam como um simples motivo decorativo céltico, de curvas e contracurvas. Sabemos que os Druidas eram considerados como seres de uma plataforma intermediária entre os homens e os seres do Outro Mundo. Possivelmente o triskele represente estes três mundos: Os Homens, Os Druidas e os Deuses do outro mundo. Embora seja possível que de outra forma represente os homens, a terra e o Outro Mundo, considerando sua estrutura de cosmo visão. Talvez nunca cheguemos a uma definição exata.

O último aspecto que abordaremos seria sobre as escrituras. Os celtas não escreviam nada, somente no período medieval se atreveram a registrar seus mitos e lendas. É certo que os Druidas não queriam vulgarizar ou distorcer seus conhecimentos e também que estrangeiros e inimigos não tomassem conhecimento. Mas o mais certo é que queriam preservar aquilo que os converteu numa classe privilegiada para o povo Celta: seus vastos conhecimentos, sua magia, os cânticos das façanhas de seus heróis e Deuses, o conhecimento de como tirar proveito do poder divinho e do poder da natureza. Não queriam que pessoas comuns e muito menos a nobreza guerreira, conhecessem seus segredos, pois com isso perderiam o misticismo e o crédito. Sem tudo isso, os Druidas não teriam conseguido preservar seu poder por tanto tempo. O conhecimento da escrita era uma forma autêntica de poder e os Druidas sabiam disso, pois, eram eles quem realizava as transações comerciais de seu povo, conheciam perfeitamente os caracteres gregos e até latinos. Toda sua magia teria explicações naturais, e eles sabiam disso.

No entanto, não há como subestimar o trabalho que os Druidas desempenharam em benefício de seu povo: ensinaram-lhes, ergueram uma civilização fazendo-os um povo coerente e grande, mantiveram uma cosmo visão perfeitamente interligada com seus ritos e crenças, mantiveram o culto a Deuses que se estendiam à totalidade do mundo que os rodeava, e se empenharam quase cegamente em manter os costumes, a história, as lendas e conhecimentos que durante séculos e séculos foi construída por seu povo. Continua [...]

Índice dos artigos:


Fontes e Bibliografia:
Funcación Icaros: http://www.fundacion-icaros.org/;
The Druid Network: http://druidnetwork.org/;
Templo de Avalon: http://www.templodeavalon.com/modules/articles/article.php?id=85;
Os Druidas, Prof. Dr. João Lupi. Departamento de Filosofia/ UFSC, Brathair 4 (1), 2004: 70-79, ISSN 1519-9053;
Os Druidas: Os deuses celtas com forma de animais, H. D'arbois de Jubainville, 1ª ed. Madras Editora Ltda, 2003. ISBN 85-7374-674-2;

Cordialmente
Conselho de Bruxaria Tradicional
http://www.bruxariatradicional.com.br/

terça-feira, 10 de maio de 2011

Os Sacerdotes Celtas pt.2: Registros históricos

Antes de continuar a falar sobre os Druidas, é importante nos situarmos sobre os registros históricos base de todo o estudo que se constrói sobre o assunto. Temos citado bastante Júlio César, entretanto o extrato de César não passa de um relato resumido sobre esta classe. A importância que a história denota a César se deve ao fato de sua vitória esmagadora sobre os povos Celtas ter ocorrido exatamente por conhecer sua estrutura social, política, e principalmente religiosa. Júlio César ou simplesmente “César” (c. 100-44 a.C.) passa a ser a referência dominante acerca dos celtas e dos Druidas em (De Bello Gallico ou A Guerra da Gália VI 4, 13, 14, 16, 18, 21). Devido o contato que desenvolveu durante o período de invasões. Em seu trabalho oferece informações sobre o contato com os deuses, crenças, rituais, sacrifícios, moral, organização e de forma geral sobre suas funções. Um dos apontamentos mais interessantes sobre a classe sacerdotal é a recusa em colocar por escrito os seus ensinamentos, motivo pelo qual existe tanta confusão envolvendo o assunto. É sabido que os Druidas estudavam durante décadas e desenvolviam uma poderosa memória para que pudessem guardar todo o conhecimento que tinham e transmiti-lo não pela escrita, mas através de contos e ensinamentos diretos.

Vejamos mais alguns testemunhos clássicos recolhidos no trabalho do Prof. Dr. João Lupi do Departamento de Filosofia / UFSC, entitulado “Os Druidas” (a título de resumo, indicaremos apenas algumas referências históricas, com visões pessoais e interpretações nossas, para consultar o trabalho na íntegra com as resenhas e observações do autor procure por Brathair 4.)

Diodoro Sículo (entre séc. I a.C./ séc. I d. C., em Histórias V, 28, 6 e V, 31, 2-5) diz que os Druidas eram filósofos e teólogos de nível superior, que à maneira dos pitagóricos acreditavam na reencarnação das almas (que encaravam como uma transmigração), e que eram curandeiros e adivinhos respeitados. Estrabão, contemporâneo de Diodoro (Geografia IV, 4, 197, 4) cita os bardos, de quem Diodoro também falou, os adivinhos e os Druidas, e destes diz que são fisiólogos (naturalistas) e mentores da filosofia ética. Dion Crisóstomo (início do séc.II, nos Discursos 49) diz que os Druidas se ocupavam com todo tipo de sabedoria e que não só eram conselheiros dos reis como em tudo os reis seguiam as suas normas e diretrizes.

Diógenes Laércio (séc.III d. C. em Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, I, 1 e 6) inclui os Druidas entre os sábios das outras civilizações – persas, babilônios, assírios, indianos e egípcios e deles diz que eram homens veneráveis [... que expunham suas doutrinas por meio de enigmas, exortando os homens a reverenciar os deuses, a abster-se totalmente de más ações e a ser corajosos...] mas compara-os neste ponto aos ginosofistas indianos (os sábios nus, geralmente se supõe que fossem os brâmanes, mas podiam ser ioguis), o que de certa forma é uma visão um pouco pessoal, já que existem outros relatos como em Tácito (c. 56-120 nos Anais 14,30) localizando-os entre batalhas e enfrentamentos, onde embalam guerreiros ao som de imprecações e incitações.

Plínio (c.23-79; na História Natural XVI 249) refere-se à magia dos Druidas e aos conhecimentos deles sobre os céus e os astros e dá-nos uma descrição dos rituais, das vestes brancas, do uso de ervas e dos ovos de serpente. Lucano (39-65 no poema Pharsalia I, 450-458) e Pompônio Mela (séc. I d.C. em De Situ Orbis ou Geografia III 2, 18-19) falam sobre o conhecimento que os Druidas detinham a cerca dos céus e dos astros. Já Suetônio (69-140 em Claudius 25) se refere aos rituais dos Druidas como desumanos e selvagens.

Existem outras citações entre os cristãos helenísticos: Clemente de Alexandria (c.153-220, nos Stromata I, 15), Hipólito (c. 170-236 na Refutação das heresias I, 22), Orígenes (c.185-254 no Contra Celso I, 16) e ainda Cirilo de Alexandria (c.380-444 no Contra Juliano IV, 133). Basicamente nestes trabalhos os Druidas são colocados como mestres no que seriam as doutrinas conhecidas como pitagóricas, na magia e adivinhação. Saberiam trabalhar com determinados cálculos e profetizar o futuro... Clemente chega a sugerir a influência dos Druidas na filosofia grega, lembrando ainda que Pitágoras teria estudado, entre outros grupos, diretamente com os gálatas.

São, Augusta (século IV), Lamprídio (no capítulo de Alexandre Severo 59, 5) e Vopiscus (nos capítulos sobre Numeriano 14, e Aureliano 43) que citam a existência de mulheres Druidas [... mulier Dryas, dryde mulier...] das quais se contavam profecias.

Somente mais tarde Amiano Marcelino (c. 330-400 em O Final do Império Romano XV 9) distinguiria os Druidas (drasidae) dos adivinhos-profetas (euhagis) e dos bardos, considerando os Druidas como grandes intelectuais [... ingeniis celsiores...] dedicados ao estudo das coisas sublimes e ocultas.

Cabe lembrar que há de se tomar cuidado com estes relatos, na leitura não só destes trechos, mas dos trabalhos na íntegra – compostos numa época já avançada se considerarmos seu período de maior evidência – pode-se perceber elementos que ligam os Druidas ao Cristianismo e às filosofias místicas que ganhavam proporção, como a crença num só Deus por exemplo e a relação com a magia pitagórica. Podemos colocar algumas ressalvas que trazem algumas dúvidas, como por exemplo, o domínio sobre as formas demonstrado na composição da arte Celta demonstra um conhecimento que se não matemático, pelo menos sobre a geometria e as proporções. Mesmo assim, tudo isso não passa de especulação, voltamos sempre ao fato onde tudo que foi escrito sobre os Druidas nos remete a autores não ligados à cultura Celta, e sim, aos povos colonizadores da Europa. Cícero (106-43 a.C. em Sobre a adivinhação I, 41, 90) é o único que diz ter conhecido um Druida, situando-o apenas como um fisiólogo e como áugure ou adivinho (num contato rápido e não tão profundo). Continua [...]

Índice dos artigos:


Fontes e Bibliografia:
Funcación Icaros: http://www.fundacion-icaros.org/;
The Druid Network: http://druidnetwork.org/;
Templo de Avalon: http://www.templodeavalon.com/modules/articles/article.php?id=85;
Os Druidas, Prof. Dr. João Lupi. Departamento de Filosofia/ UFSC, Brathair 4 (1), 2004: 70-79, ISSN 1519-9053;
Os Druidas: Os deuses celtas com forma de animais, H. D'arbois de Jubainville, 1ª ed. Madras Editora Ltda, 2003. ISBN 85-7374-674-2;

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os Sacerdotes Celtas pt.1: Papéis e sociedade

Para entender um pouco sobre os Druidas, temos primeiro que compreender o contexto em que viveram e desenvolveram sua Religião, ou seja, na cultura Celta. Como a maioria dos povos de origem indo-européia e proto-indo-européia, os celtas demonstraram ter um rígido sistema social. César, que conheceu diretamente os celtas da Gália livre, definiu o sistema que conheceu como um modelo de sociedade tripartite, dividindo-o da seguinte forma: éqüites (cavaleiros), druis (sacerdotes) e plebs (plebe). Exceto a definição de druis, as outras duas estão claramente latinizadas, aparentemente para que fossem entendidas por seus concidadãos. Mas porque então César continuou a chamá-los de Druis? Uma possibilidade é devido ao enorme prestígio e respeito que a classe sacedortal teria entre o povo Celta, e que junto com o poder e inteligência que demonstraram possuir causou certa admiração e receio em César.

Origem da palavra

Teorias dizem que a palavra Druida pode ter derivado do vocábulo grego δρυs. A definição mais antiga procede por Plínio, que nos diz que os Druidas tomaram seu nome do carvalho (do qual recolhiam a seiva e comiam as bolotas para adquirir seus poderes e dons de adivinhação). No entanto, diversos estudiosos modernos tem indicado uma definição talvez mais precisa buscando no estudo lingüístico associações com línguas Bálticas, Germânicas e Eslavas, onde os Druidas seriam algo como "os prudentes" ou "muito sábios". Plínio, porém preferiu apontá-los como "homens do carvalho" ou, de certa forma, "aqueles que tem o conhecimento do carvalho", árvore esta que era considerada sagrada para os Druidas.

O papel e a presença perante a sociedade

Tentaremos definir as funções atribuídas aos Druidas, assim entenderemos melhor sua capacidade de influência sobre o povo. Muitos autores clássicos nos falam delas: [... Na Gália os Druidas dirigem sacrifícios, nos quais, em muitas vezes são eles os próprios sacrificadores...] (a quem Estrabão chama de vates). Mas uma de suas principais funções religiosas era a adivinhação. Pressupõe-se que para tanto entrariam em situações de transe e êxtase. Powell diz que [... o êxtase, o transe e o poder de metamorfosearem-se, todos indicam a mesma relação genérica entre o que seriam os magos celtas e os xamãs da religião nórdica Eurásia...]. Segundo nos conta César, também teriam funções jurídicas, e que se pronunciavam sobre quase todos os litígios, fossem públicos ou privados. Possuíam certa autoridade de natureza política, que se enxerga claramente na Irlanda, onde, o rei não poderia falar antes do pronunciamento de um Druida.

[... Os Druidas desempenham o papel de educadores dos jovens...]. Obviamente que esta seria uma das facetas druidicas mais temidas por César, que diz terem direcionado por vezes seus discípulos ao poder. Esta é uma afirmação um tanto áspera e pode ter sido uma propaganda contra a classe druidica, mas em alguns pontos pode estar certa, um exemplo claro é o fato de um aristocrata ou nobre poder ser educado como Druida.

Qual seria o motivo para que estes sacerdotes estivessem tão arraigados na cultura? Uma possibilidade é a de que seria pelo caráter altamente coesivo que sempre teve o druidismo! [... A constituição do sacerdócio dos Druidas foi o aspecto mais interessante e surpreendente, a organização de uma sociedade religiosa que fez dos celtas um povo coerente...]. Hubert nos disse ainda que [... O estudo analítico e comparativo da instituição do sacerdócio druídico, demonstra o quão essencial esta era para a organização das sociedades celtas...], neste ponto de vista, parece óbvio que os Druidas não tivessem nenhuma dificuldade em exercer qualquer tipo de influência sobre seu povo. Segundo Diodoro Sículo [... os Druidas mantêm todo o povo submetido a eles...] e explica a seguir: [... porque o povo crê que “eles sabem a língua dos deuses”...] ou seja: eles se tornaram indispensáveis para manter o bom relacionamento entre os homens e os deuses, e com isso a ordem do mundo.

Além disso, a história nos mostra claramente como o druidismo foi o último bastião de resistência das sociedades celtas contra os romanos na Gália, Britania e frente ao cristianismo na Irlanda, onde era conhecido e temido pelos romanos... A julgar pelas campanhas que seus generais patrocinaram contra os santuários de Britânia, e pela desqualificação que sofreram os Druidas na Gália e Irlanda. [... As peregrinações dos Druidas e suas reuniões com o povo cimentavam a união dos celtas e o sentimento de irmandade...].

O druidismo foi uma instituição pancéltica. César ao testemunhar seu poder nos conta que havia Druidas na Irlanda e na Britânia. Sem dúvida, assim nos diz César também que haveria Druidas na Gália. Apesar de não haver relatos que os localize nas regiões da Itália, Espanha, Galácia e no Vale do Danúbio, não se descarta esta possibilidade. Alguns autores apontam a adoração de muitos dos deuses pancélticos na Espanha, a saber: Lug, Esus, Tarannis, Teutates, entre outros. López Monteagudo indica que [... Na Hispania Celta não é dada a existência de uma forte classe sacerdotal entre os Druidas, mesmo no ofício do sacrifício...], ele mesmo nos aponta ainda que [... Existiu em toda a área indo-européia da Península Ibérica um culto generalizado às águas, aos bosques, montanhas e pedras...]. Dão prova disso outros autores clássicos que falam sobre cultos a lua, às águas e montanhas. Cultos estes comuns praticamente à totalidade do povo Celta. A presença de deidades pancélticas e de cultos à natureza tão semelhantes em regiões tão distantes seria algo difícil de concretizar-se se não houvesse de uma classe sacerdotal disseminando-os, mesmo se considerarmos o caráter migratório que tinha a civilização Celta. Continua [...]

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Fontes e Bibliografia:
Funcación Icaros: http://www.fundacion-icaros.org/;
The Druid Network: http://druidnetwork.org/;
Templo de Avalon: http://www.templodeavalon.com/modules/articles/article.php?id=85;
Os Druidas, Prof. Dr. João Lupi. Departamento de Filosofia/ UFSC, Brathair 4 (1), 2004: 70-79, ISSN 1519-9053;
Os Druidas: Os deuses celtas com forma de animais, H. D'arbois de Jubainville, 1ª ed. Madras Editora Ltda, 2003. ISBN 85-7374-674-2;

Cordialmente
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http://www.bruxariatradicional.com.br/