quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

BRUXARIA TRADICIONAL: Gabija - Deusa do Fogo Báltica.

 
Gabija - Deusa do Fogo Báltica.
No último dia 5 de fevereiro, celebramos o Dia De Gabija, a Deusa do Fogo Lituana, mas para entendermos a importância do culto à Gabija, devemos entender a importância do fogo para esta nação.
A adoração ao fogo tem sua origem na Era Antiga. Desde que o fogo protegeu o homem de todos os tipos de animais e terrores da noite obteve grande estima, além de um sentido sobrenatural e transcendental. Mesmo quando foi trazido das cavernas para dentro das casas não perdeu sua sacralidade. 
Cuidar do fogo, das brasas e das cinzas é tarefa somente das mulheres, assim como conduzir o ritual à Gabija. Elas devem cuidar do fogo com carinho e respeito todas as manhã e ao cair da noite. Desrespeitar o fogo é considerado extremamente ofensivo e pode trazer grande destruição. 
Podemos comparar Gabija a Vesta, Héstia e Brigide, com pequenas diferenças, já que para os lituanos, principalmente, Gabija é tida como o Centro Flamejante de tudo que é vivo neste planeta.

As oferendas a Gabija são basicamente de sal e pão, e claro uma fogueira. O culto a Gabija permanece sem alterações desde sua origem na Era Antiga até os dias de hoje.
Gabija assume diversas formas como de aves, gatos e antropomorficamente de uma mulher vestindo vermelho que muitas vezes é descrita com asas. 
Gabija é responsável pela proteção de nossos lares e família, prove-nos com felicidade e fertilidade.
Todos os rituais Bálticos começam com uma fogueira sendo acesa em honra a Gabija em primeiro lugar. 
Quando sal ou um pouco de comida cai em nosso fogão devemos dizer: "Gabija búk pasotinta" - Gabija está satisfeita. Assim estaremos em paz em nossos lares.

Colaboradora: Erika Audra
Erika é pesquisadora e escritora de artigos sobre a religiosidade pré-cristã no Báltico e colaboradora do CBT.

Cordialmente,

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Direito dos Intolerantes na Bruxaria

Resolvi escrever este artigo, pois acredito ser importante que a Bruxaria promova um caminho de reflexão e sabedoria, ouvimos muitas teses sobre o termo “bruxo” muitas fazem menção à palavra "sábio", mas pensar que bruxos são sábios e que sábios são bruxos e assim por dizer que o rótulo te tornará sábio é uma grande ilusão, com certeza uma parcela que tenho observado já estariam excluídos deste contexto! E qual o motivo para esse pensar? Simples! Pessoas são pessoas em qualquer lugar e algumas delas acreditam tanto na sua fé que chegam ao fanatismo e irão partir para agressão verbal ou física para demonstrar suas verdades! Parece incrível pensar em que no Brasil no ano de 2012 ainda existam pessoas que incitam a perseguição dos que pensam diferente, mesmo tendo todo o histórico da Idade Média de perseguição religiosa, ainda assim se consideram bruxos e melhor sábios!

Existem diversas frases simpáticas sobre a intolerância religiosa, a liberdade de expressão, contudo estas só podem vir antes de uma palavra chamada respeito, eu não tenho a obrigação nenhuma de acreditar no que você possa acreditar, porém respeito a sua crença por mais excêntrica que ela possa parecer, mesmo que você acredite que nasceu de fadinhas ou que foi um experimento mágico de alienígenas.

Nós somente podemos debater diante de fatos compatíveis, seja por área acadêmica, seja por segmento religioso, portanto não existe motivo algum de debates entre crenças diferentes, mesmo que utilizando do mesmo rótulo, o grande sentido é compatibilidade do ato e da crença na sua essência e não a superficialidade das palavras.

Quando me perguntam sobre algo da magia, podem ter certeza que será uma opinião conservadora de alguém que esta no segmento tradicionalista, não há sentido algum em me perguntar algo ou participar de minha casa se você não segue uma linha minimamente similar, aliás, na minha casa eu sou o anfitrião, abro a porta, sirvo o jantar e me despeço fechando porta, portanto acho de tremendo mal gosto as pessoas que chegam chutando a porta, abrindo a geladeira, arrotando na sala de jantar e quando são convidadas a se retirarem ainda se acharem no direito de falar mal do anfitrião, pois é assim que algumas pessoas se comportam, de forma imatura e desrespeitosa.

Todos nós temos o direito de escolha e essa escolha inclui estar perto ou não de situações desagradáveis, tal como de pessoas sem postura, isto é básico e não é exclusivo da Bruxaria, o fato da não concordância de idéias não o faz e não deveria tornar alguém um inimigo, essa é a grande ignorância da guerra, matam pessoas por conta de suas idéias, mas as idéias estão além das pessoas. Alguns perdem o seu tempo em pensar que eu dou a mínima atenção em julgar quem é bruxo e quem não é! Acho engraçada essa questão, pois francamente não dou relevância para isso, se você tem as mesmas crenças do que eu, seja bem vindo à minha casa, caso contrário ficarei contente com sua presença em uma pizzaria, você pode ser satanista, mago, feiticeiro cristão, bruxo fadinha, bruxa de cozinha, bruxa de quarto (e essas são as melhores) e tanto faz!

É o que eu falo sempre: “Tem espaço para todo mundo, para o que joga tarô, para quem dá curso, para os que trazem o namorado em três dias, para os que fazem voodoo, tem até lugar para maluco!?” Oras! Eu vou continuar a refletir e analisar muitas questões, vou andar de forma muito bela no meu segmento religioso, com os meus projetos e indico que façam o mesmo, que ocupem seus pensamentos com coisas gratificantes, este é o caminho sábio!

Quero dizer que eu sou responsável pelo que escrevo, mas não sou responsável pela sua interpretação, alias a cada dia que passa comprovo o quanto as pessoas tem dificuldade de interpretação de textos, tanto que para escreverem precisam recitar a ladainha dos títulos que têm e do tempo de estudo que possuem para tentar dar veracidade necessária as quais suas idéias não promovem e nem sua vivência complementa. Trágico que ainda teremos que presenciar tais argumentações, seria muito mais fácil para alguns bruxos já nascerem com pedigrees e não precisassem pensar, mas a grande maioria acaba se auto iniciando e papagaiando sobre o que alguém algum dia disse, isto é... Se ele ainda não distorcer àquelas ilustres palavras para algo mais próximo da sua errônea interpretação.

Hoje tive um insight de uma aluna da Graça Azevedo (Senhora Telucama) que me falava em lapidação, acredito que tenha realmente que melhorar minha tolerância e paciência, pois elas fazem parte diretamente da minha esperança em termos um Movimento na Bruxaria mais coeso e com os pés no chão, para entendermos coisas primárias tal como até respeitar o próximo e não levar para o pessoal, coisas como entender que não é por que o sujeito pensa diferente que você tem que bater nele; bem como é necessário consultar livros acadêmicos que lhe esclarecerá e te tornará mais centrado no conhecimento.

Quero dizer também que o Ricardo DRaco é UM (1) dos conselheiros, eu posso ser mais ativo, mais apaixonado por escrever, mas todos são patrocinadores desta ideia de trazer o conhecimento para os que têm interesse em participar. Então entendam que cada um de nós já tem um trabalho próprio, criamos o CBT com uma visão de base social, para que todos pudessem desfrutar de alternativas dentro da religiosidade mágica e não arrebanhar pessoas.

No mais agradeço a todos que fazem e curtem os projetos do Conselho de Bruxaria Tradicional em Terras Brasileiras!

Um forte abraço a todos,

Ricardo DRaco
http://clandosdragoes.hd1.com.br




Cordialmente,
http://www.bruxariatradicional.com.BR

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O que é Bruxaria afinal? E a Vénus de Willendorf

Com o tempo notamos que o significado original das palavras se perdem e acabam trazendo outros significados, pois o idioma tem sua própria dinâmica e assim com o passar das décadas vão se agregando novas palavras e entendimentos.

A palavra Bruxaria tem diversos significados atualmente o que provavelmente na sua origem não trariam tantos atributos, hoje encontramos algumas referência à palavra bruxa como mulher feia, cultuadora do diabo, feiticeira de magia negra, madrasta malvada, esotérico, entre outras definições.

Dentro do campo religioso, entendemos que um bruxo é alguém dedicado a visão mágica de mundo, ligado às práticas de feitiçaria e oracular, contudo se pararmos por aqui estaríamos trazendo o mesmo significado para com um místico e se assim o fosse qual o benefício de dois rótulos para o mesmo significado? Então entra a segunda parte de atributos que traz uma visão mais específica que são crença e origem.

Crença, pois um bruxo observa o mundo de uma maneira mágica, contudo mesmo dentro da Magia existem formas diferentes de serem observadas, existe um caminho específico de crença, de valores, de costumes que o tornam um caminho belo e apaixonante e sua origem como etimológico é ibérico, contudo essa manifestação religiosa e seus relatos nasceram perante toda a Europa (agregado antropológico) diante de vários fatores históricos, folclóricos de base popular. Também entendemos que este nome migrou para outras localidades, contudo através do olhar daquele que migra (povo europeu) e traz com ele sua cultura e sua linguística rotulando outros aspectos religiosos tendo como base o seu vocabulário mesmo que no fundamento de culto em nada fosse parecido.

Como podem analisar houveram diversos momentos, desde migração do termo até a incorporação de novos atributos, se pensarmos hoje de forma leiga qualquer místico seria um bruxo, voltando na Era do Renascimento poderíamos dizer que seriam charlatões e pessoas com uma sócio patologia, na Era Medieval cultuadores do diabo e praticantes de feitiçaria de malefício e na Era Antiga uma forma de culto pagão.

Já na década de 60 tivemos um movimento ocultista, revolucionário por sinal, que foi chamado de Bruxaria Moderna, a Religião Wicca, observando as influências de seu criador Gerald Gardner, elas são ligadas as Ordens Iniciáticas Ocultistas da época, e assim através de estudos/ influências de seu fundador foi desenvolvido o sistema envolvendo o dualismo entre o feminino e o masculino, A Deusa e o Deus, também baseado em arquétipos que utilizam dos diversos panteões, porém sempre de forma dual.

Antes da Wicca, passando pelas demais eras e chegando a Era Antiga, não encontraremos nenhuma citação que existiu um culto centralizador de uma Deusa tal como não haverá um sistema de igual forma cultuado hoje na Wicca, apesar das diversas teses que levam em conta a questão que a maternidade era e é tida como algo sagrado, tanto no fator social quanto no fator mitológico, entretanto é necessário a ressalva de observar que tal como hoje o fato de se fazer artesanato não implica diretamente em culto religioso, pois dependerá de outros mecanismos arqueológicos para que com base cientifica e não exclusivamente pela fé se possibilite esta afirmação; bem como sabemos que os estudos científicos têm aumentado as nossas possibilidades diante da Era Antiga e quebrado muitos dogmas e misticismos sobre certas argumentações místicas, derrubando teses aos quais religiosos se apoiam, principalmente na relação de um culto homogêneo ou da ligação da Bruxaria para com o período Paleolítico, ou seja, a religião do homem (Homo erectus) na Era da Pedra Lascada (?).

Ainda teremos complicações etimológicas quando não se entende as palavras: religião, culto, paganismo, feitiçaria, magia, entre outros rótulos que na boca de leigos acabam se baseando em uma interpretação que foge a origem dos significados, tornando não apenas a comunicação truncada, mas gerando discussões que poderiam ter o mesmo sentido, contudo com expressões de interpretação que geram um entendimento oposto.

A Bruxaria na forma essencial, com um olhar religioso é apenas mais um dos muitos caminhos percorridos pela humanidade, com objetivos e filosofias diferentes e assim promovendo a diversidade de crença, entretanto tal como uma das crenças nativas cabe a nós termos propriedade e especialidade ao lidar com cada manifestação espiritualista e consequentemente todo o agregado antropológico ali contido, não decorrendo no erro do fundamentalismo religioso, da generalização, da influência de sua cultura social, dos seus anseios pessoais, somente assim, com um estudo pautado e sério conseguiremos definir com clareza qual caminho seguir, sem com isso tentar distorcer para que estes caminhos ancestrais sejam cabíveis em nossas crenças pessoais.

No entanto, nós do Conselho de Bruxaria Tradicional, respeitamos quaisquer crenças e interpretações, resguardamos o dever de respeitar a religiosidade alheia bem como o direito de sermos respeitados em nossos estudos e suas respectivas fontes, reconhecendo iguais e provendo conhecimento para àqueles que se adequam ao mesmo pensamento.

Nossos debates são sobre a Religião em si e não a visão pessoal baseada em uma vivência individual, não se debate crenças pessoais, se debatem matérias acadêmicas, se debatem questões de um mesmo segmento religioso.



Entendendo os Artefatos sem Misticismos!

A Vénus de Willendorf é uma estatueta com 11,1 cm de altura representando estilisticamente uma mulher, descoberta no sítio arqueológico do paleolítico situado perto de Willendorf, na Áustria.

Foi desenterrada a 8 de Agosto de 1908, pelo arqueólogo Josef Szombathy. 

Pouco se sabe sobre a origem, método de criação e significado cultural.

A Vénus não pretende ser um retrato realista, mas uma idealização da figura feminina. A vulva, seios e barriga são extremamente volumosos, de onde se infere que tenha uma relação forte com o conceito da fertilidade. 

Christopher Witcombe, professor na Sweet Briar College, em Virgínia por exemplo, refere que "a identificação irónica destas figuras com Vénus satisfez de forma prazenteira alguns conceitos correntes, na época, sobre o que era o homem primitivo, sobre as mulheres e sobre o sentido estético". Outros autores têm alguma relutância em identificá-la como a deusa Mãe-Terra (Grande Mãe) da cultura europeia do Paleolítico. Alguns sugerem que a corpulência representa um elevado estatuto social numa sociedade caçadora-coletora e que, além da óbvia referência à fertilidade, a imagem podia ser também um símbolo de segurança, de sucesso e de bem-estar.

Os pés da estátua não estão esculpidos de forma que se mantenha em pé por si mesma. Por essa razão, especula-se que fosse usada para ser trazida por alguém em vez de ser apenas observada, podendo ser apenas um amuleto. Há ainda quem avance a hipótese de que poderia ser inserida na vagina, em rituais de fertilidade.

A Vénus faz parte da coleção do Museu de História Natural de Viena (Naturhistorisches Museum).

Portanto não existem evidências acadêmicas e sim teses com relação ao artefato, sendo assim, embora existam algumas teses, poderíamos também acreditar em ser apenas um artesanato decorativo primitivo sem vínculos religiosos.


Cordialmente,
http://www.bruxariatradicional.com.BR

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

BRUXARIA TRADICIONAL: Báltico e o Deus Perkunas

Hoje dia 2 de fevereiro, de acordo com a Religião Antiga de meus antepassados lituanos, é dia de Perkunas ou Grauduliné.
Perkunas é o Deus do Trovão, grande guerreiro. Era invocado em batalhas e na hora da morte os guerreiros o invocavam para que fossem levados por seus braços até Aistuva, o céu lituano.
Sua imagem é um guerreiro portando uma espada e montado em seu cavalo.
Protetor de nossas casas e bens materiais, luta pela justiça, ordem e moral. Ajuda a manter a paz e a estabilidade no mundo.
Saudemos Perkunas para que suas bençãos cheguem até nós.
 
Šiandien vasario 2 d., remiantis Senuoju Religija mano protėviais Lietuva, yra Perkūnas arba Grauduliné dieną.
Perkūnas yra Thunder, puikus kariai Dievu. Tai buvo remiamasi mūšyje ir mirties kariai remtis būti išvedė savo ginklų Aistuva, dangus lietuvių kalba.
Jo vaizdas yra karys vykdyti kardas ir jojimo žirgo.
Apsaugos mūsų namus ir nuosavybę, kova už teisingumą, tvarką ir moralę. Padeda palaikyti taiką ir stabilumą pasaulyje.
Leiskite mums pasveikinti Perkūnas jų palaiminimai ateis pas mus.
 
Cordialmente,

index-listagem-de-textos-e-artigos-01-2012

Este tópico tem por função a indexização dos artigos e textos do Conselho de Bruxaria Tradicional no Brasil para facilitar na busca dos artigos pelos por títulos do primeiro semestre de 2012.



Cordialmente,

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Drogados ou Divinos eis a Questão

Artigo sobre enteógenos na sociedade urbana e contemporânea.

Enteógeno significa literalmente "manifestação interior do divino", deriva da palavra "entusiasmo" de raiz grega, que refere à comunhão religiosa sob efeito de substâncias visionárias ou à espasmos de profecia. Entretanto este termo foi proposto como uma forma apropriada de nomear estas substâncias, sem tachar pejorativamente costumes de outras culturas.

As substâncias enteógenas eram e são comum nos ritos de base campesina, pela ligação entre o homem e a natureza, essa ligação se torna ainda mais comum quando entendida pelos atributos ideológicos/ religiosos que chamaremos de fundamentos do Paganismo, que em sua forma tradicionalista (Paganismo Tradicionalista) implica no estudo e práticas ligadas a Floresta e com isso todo o agregado preservado de conhecimento ancestral no uso de ervas e suas diversas funções que se estendem da medicina até a utilização de cultos religiosos. No Brasil existem milhares de ervas que ainda não foram catalogadas e através de estudos científicos chegam às indústrias farmacêuticas; muitos remédios tendo como base o conhecimento nativo dos chamados povos da floresta.

Contudo a exploração deste conhecimento não gera indignação na sociedade, pois tanto as indústrias como a população ganham com esta questão, seja pela motivação financeira, seja nas alternativas de curas, contudo as questões religiosas ainda se tornam um taboo para a sociedade urbana, visto que não lidam bem com a sua espiritualidade, muito embora a consagram na forma sintética através das farmácias também conhecidas como drogarias.

O desconhecimento da população em definir remédio de droga gera um grande desconforto, pois se uma drogaria (farmácia) vende remédios e não drogas como avaliar o contexto sagrado das plantas enteógenas e seus benefícios religiosos?

Esta questão chama a atenção pela falta de sensibilidade e coesão em catalogar qualquer psicotrópico como um veneno social, misturando práticas nativas e ancestrais com a indústria da criminalidade e o mau uso das ervas, entretanto devemos separar em conceitos diferentes o que é um enteógeno de um veneno químico, tal como devemos separar uma prática religiosa fundamentada de uma prática de entretenimento inconsequente.

Na atualidade temos alguns movimentos religiosos que estão em pauta sobre a legalização, no Brasil temos a ayahuasca regida pelos movimentos como Santo Daime, UDV, Cefluris e sociedades indígenas, temos a questão da Cannabis Sativa advinda do movimento Rastafári (Jamaica), a Igreja do Peyote (México e USA), o movimento nacionalista da folha da Coca (Peru, Bolívia, Colômbia) e movimentos menores como jurema, iboga, salvia divinorium, entre outros.

O que entendemos nessa questão é que as sociedades nativas tradicionalistas possuem uma grande ligação com a herbologia ao mesmo tempo em que em sua medicina trabalham as questões espirituais, sendo que não é o fato de serem psicotrópicos simplesmente e sim um contato com o divino espiritual, isto difere largamente das questões de entretenimento, o famoso "ficar chapado", que podemos convencionar como um desequilíbrio humano diante do afastamento da natureza e consequentemente da sua religiosidade. Além destas questões filosóficas / religiosas encontramos também o comercio do sagrado, que acontece pela falta de informação e agravada pela desinformação gerada por interesses menos nobres.
Fomos questionados para traçar a diferença entre drogados consumidores de crack e "drogados" consumidores de enteógenos. A diferença é muito clara e vamos colocar alguns tópicos que diferenciam esta dúvida.

1 - Origem do culto: Todos os cultos tem uma base religiosa nativa.
2 - Químico: Não foca na retirada do princípio ativo químico e sua potencialização na forma industrial.
3 - Quanto à utilização: Feita unicamente em culto religioso.
4 - Financeira: Não visam lucros, embora lícito pela divisão de custos e trabalhos envolvidos.
5 - Objetivo: Ligação obrigatória com o divino, como obra da cura da alma e dos mistérios do espírito.
6 - Comportamento: Os enteógenos em sua maioria são de consagração coletiva.
7 - Reação: Não causa dependência química.

Com esses conceitos já se pode ter uma visão mais clara sobre o assunto

Em outro questionamento estaria à questão de que nossa sociedade urbana estaria isolada de movimentos nativos e por isso o uso de enteógenos seria declarado como "droga social".
 
Entendemos que nossa sociedade sofre com a perda da ligação para com a ideologia do natural, causando um desequilíbrio emocional, uma patologia social, contudo devemos separar as moléstias de nossa "urbanidade" dos cultos de sociedades nativas, e para aqueles que sentirem uma inclinação para estas questões religiosas que busquem o contato real e necessário para a sua cura interior, sabendo separar "terapeutas" místicos do comércio de pessoas pautadas na preservação de culturas nativas e que tratam com respeito todo o legado mágico religioso, procurando por pessoas e instituições focadas no estudo cientifico tal como focadas no respeito ao trabalho espiritual. É coeso dizer que muitas pessoas não estão familiarizadas com esta questão, muitos não são índigenas, outros estão longe das questões tradicionalistas, contudo isso não é desculpa para a falta de discernimento, da falta de estudos e da necessária busca pela prática espiritual sincera.
Também estamos convictos que a prática com enteógenos não é para todos e não deveria ser tão divulgada de forma superficial pela mídia e que a maioria dos opositores, quando, e se tiveram esta experiência, estavam totalmente despreparados para esta vivência e assim acabaram por ser vítimas de traumas que motivaram as revoltas.

O mundo dos enteógenos é um mundo muito pleno de conhecimento, entretanto além de um grande respeito é necessário estar preparado para a quebra de paradigmas, da intolerância, preconceito e medo.


Cordialmente,

CONSELHO DE BRUXARIA TRADICIONAL

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

BRUXARIA TRADICIONAL: Festival de Lughnasadh

Festival de Lughnasadh


Irlandês antigo: Lugnasad 
Irlandês: Lúnasa
Gaélico escocês: Lùnastal 
Manx: Luanistyn

Lughnasadh é celebrado no dia 1° de fevereiro no Hemisfério Sul e
1° de agosto no Hemisfério Norte. "Lá Lúnasa" é um dos quatro Festivais Celtas mais cultuados e, uma celebração agrícola de agradecimento, onde se comemora o festival de colheita e  a honra a memória de Tailtiu, mãe adotiva de Lugo, o Deus das muitas habilidades.

Lughnasadh é uma época ideal para agradecermos às nossas colheitas, sejam elas colheitas rurais ou de atos pessoais. Lughnasadh marca o tempo da colheita, onde oferendas são feitas com diversos objetivos, tal como proteção, cura, prosperidade e até uma época para escolha de maridos.

Lughnasadh literalmente significa "Jogos de Lugh", isso se deve ao antigo costume celta de promover encontros tribais, feiras e competições esportivas, denominado "Oenach", quando os clãs se reuniam em paz, para honrar a soberania da terra e resolver questões jurídicas. 



O festival sobreviveu como o Fair Taillten , e foi revivido por um período no século XX, como os Jogos Telltown. Em Teltown, às margens do rio Boyne (derivação da Deusa Boann), é tradicionalmente celebrado com jogos competitivos entre homens e meninos. Os vencedores são declarados campeões e responsáveis pela defesa da aldeia. 

Neste ritual as primeiras oferendas são dedicadas a terra junto com pedidos e  agradecimentos.




Cordialmente,

CONSELHO DE BRUXARIA TRADICIONAL